O governo vai antecipar e concentrar os pagamentos do Bolsa Família em outubro, a partir de quarta-feira (21), como ação preventiva para reduzir os impactos esperados do super El Niño sobre famílias em situação de vulnerabilidade. A medida será repetida nos meses de novembro e dezembro, período em que o fenômeno climático pode intensificar seus efeitos no país.
No calendário regular, os beneficiários cujo Número de Identificação Social (NIS) termina em 1 receberam o pagamento na segunda-feira (19). Os com NIS final 2 foram atendidos na terça-feira (20). A partir de quarta-feira (21) os depósitos serão feitos em um único dia para aqueles com NIS terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0.
O governo também determinou que beneficiários residentes em municípios com situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pela União receberão o benefício de forma unificada já na segunda-feira (19), independentemente do dígito final do NIS.
A decisão foi tomada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com base em análises sobre o crescimento de desastres climáticos e nas previsões meteorológicas para os próximos meses.
Dados do próprio MDS indicam que, em agosto e setembro de 2026, a União reconheceu 518 situações de emergência ou estados de calamidade pública, mais que o dobro dos 253 casos registrados no mesmo período de 2025. Os reconhecimentos ligados a chuvas, granizo, vendavais e inundações subiram de 81 para 272 no intervalo analisado. Registros relacionados à estiagem e à seca aumentaram de 172 para 239, salto de 39%.
O Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026–2027, produzido por órgãos federais de pesquisa e monitoramento, aponta menos chuva do que a média histórica no último trimestre do ano em grande parte da região Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, condição que pode agravar a seca nessas localidades. Em contraste, prevê precipitação acima da média no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste, elevando o risco de enchentes, especialmente no Sul do país.
Diante deste cenário, o Comitê Permanente para Respostas de Proteção Social em Situações de Calamidades Públicas e Emergências, vinculado ao MDS, avaliou ser necessária a unificação dos pagamentos do Bolsa Família para ampliar o acesso imediato a recursos que auxiliem na preparação e resposta a secas, escassez de água, inundações e problemas no abastecimento, além de reduzir o risco de insegurança alimentar entre os mais vulneráveis.
A prática de concentrar pagamentos em situações de emergência já foi adotada anteriormente: em maio de 2024 os repasses foram antecipados para famílias dos 497 municípios do Rio Grande do Sul afetados por enchentes.
Para manter o direito ao benefício, as famílias devem manter o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, obedecer aos critérios do programa e cumprir as condicionalidades de saúde e educação, como frequência escolar, vacinação das crianças e acompanhamento pré-natal. A situação do pagamento, extratos e valores liberados podem ser consultados pelos aplicativos Bolsa Família e Caixa Tem ou pelo Portal Cidadão da Caixa. Dúvidas sobre regras e cadastros podem ser obtidas pelo Disque Social do MDS no telefone 121; para informações sobre pagamentos e saques, a Caixa atende pelo 111.
Com informações de G1




