Pedido ao STF para retomar visitas
O ex‑presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta segunda‑feira (5) no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) volte a visitá‑lo durante o regime de prisão domiciliar. A defesa argumenta que a suspensão das visitas, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes por 90 dias, perde a validade em 11 de outubro e, por isso, não haveria motivo para manter as restrições em vigor.
A proibição de visitas foi imposta em julho, após Flávio publicar uma carta escrita pelo pai nas redes sociais. Bolsonaro cumpre, no momento, um regime que inclui restrição ao uso da internet, inclusive por intermédio de outras pessoas. O ex‑presidente foi condenado no ano passado a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à trama golpista e, após cirurgia, passou a cumprir a pena em prisão domiciliar por prazo determinado.
Segundo a defesa, a liberação das visitas poderia ser imediata, por entenderem que as razões que motivaram a restrição deixaram de existir com a proximidade do término do período de 90 dias fixado pela decisão ministerial.
Envolvimento político e declaração de Valdemar
No mesmo dia em que o pedido foi apresentado ao STF, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, declarou em entrevista que Jair Bolsonaro terá participação ativa em um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro, caso este vença a disputa presidencial. Valdemar afirmou que Bolsonaro não ocuparia um ministério, mas daria opiniões e ajudaria a definir nomes da equipe de governo.
O dirigente do PL disse ainda que o ex‑presidente tenderia a defender um modelo de gestão semelhante ao de sua administração entre 2019 e 2022, com pessoas de confiança em postos estratégicos.
Plano para o Senado e composição da bancada
Valdemar informou que pretende lançar o senador Rogério Marinho (PL‑RN), coordenador da campanha de Flávio, como candidato à presidência do Senado em 2027. A candidatura do PL representaria ruptura com o comando atual da Casa, exercido por Davi Alcolumbre (União‑AP). Em 2023, Marinho tentou o comando do Senado e foi derrotado por Rodrigo Pacheco por 49 votos a 32.
O PL elegeu 28 senadores para a próxima legislatura, correspondendo a mais de um terço das 81 cadeiras. Valdemar afirmou que conta com o apoio da federação PP‑União Brasil e do Republicanos; sem considerar Davi Alcolumbre, esse bloco chegaria a 44 senadores.
Contexto eleitoral
O pedido ao STF e as declarações de Valdemar foram divulgados um dia após o primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputam o segundo turno marcado para 25 de outubro. Flávio comemorou o resultado e mencionou ter recebido cerca de 56 milhões de votos, enquanto Lula admitiu que esperava vencer no primeiro turno e disse que a disputa segue em prorrogação, buscando atrair eleitores que não votaram no primeiro turno.
Atualmente, Bolsonaro se recupera de uma pneumonia bacteriana enquanto cumpre o regime de prisão domiciliar concedido por 90 dias após cirurgia.
Com informações de Paranaibamais




