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domingo, outubro 18, 2026

Brasil amplia licença-paternidade e avança, mas ainda fica atrás de países de referência

Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou na terça‑feira (31) a lei que amplia gradualmente a licença‑paternidade no Brasil, medida aguardada há mais de uma década no Congresso. A licença, que atualmente é de cinco dias corridos, passará para 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e 20 dias em 2029. O direito vale para nascimentos, adoções e casos de guarda de crianças e adolescentes.

TRANSMISSÃO: ria a figurar entre os 20 primeiros | Globo | Band

A mudança, segundo o texto aprovado, retira o Brasil do grupo de países com regras mais restritivas e o coloca em posição intermediária no cenário internacional, superando na comparação nações como México e os Estados Unidos, onde não há licença parental remunerada garantida em nível federal. Com cinco dias de licença, o país ocupava a 80ª posição em um levantamento; com 20 dias previstos para 2029, passaria a figurar entre os 20 primeiros, igualando‑se à Bélgica e superando o Uruguai, que concede 17 dias.

Como a nova lei funciona

A legislação transforma o benefício em salário‑paternidade, que será custeado pela Previdência Social, com reembolso às empresas pelo INSS. O acesso é ampliado: além de trabalhadores com carteira assinada, a norma inclui autônomos, empregados domésticos, microempreendedores individuais (MEIs) e outros segurados do INSS.

O texto também prevê que, em situações específicas — como falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido —, a licença do pai pode ser equiparada à licença‑maternidade, chegando a 120 ou 180 dias. A nova regra cria ainda estabilidade no emprego durante a licença e por até 30 dias após o retorno, e autoriza a suspensão ou negação do benefício em casos de violência doméstica, abandono material ou se o pai não se afasta efetivamente do trabalho.

Comparação internacional

Levantamentos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que poucos países adotam modelo verdadeiramente igualitário entre pais e mães. Países como Suécia, Islândia, Austrália e Nova Zelândia garantem direitos semelhantes a ambos os responsáveis. Na Suécia, por exemplo, a família dispõe de 480 dias de licença parental por família — 240 dias por responsável, com parte do período individual e intransferível.

Dados da OIT de 2025 apontam países europeus no topo do ranking: Eslováquia (197 dias), Islândia (183) e Espanha (133). Na União Europeia há uma regra mínima de pelo menos duas semanas de licença‑paternidade; países como França, Holanda e Portugal oferecem, respectivamente, quatro semanas, seis semanas e cinco semanas (sendo quatro obrigatórias e totalmente remuneradas) e adotam incentivos para uso compartilhado da licença.

Estados Unidos

Ao comparar com os Estados Unidos, a reportagem cita o jornalista Guga Chacra, que comentou no Estúdio I que “aqui nos Estados Unidos não existe licença, nem maternidade de direito. É tudo caso a caso, depende do contrato”. Chacra acrescentou que muitos empregadores não oferecem o benefício e que a legislação americana prevê apenas até 12 semanas de afastamento sem salário para empregados elegíveis, dependendo do porte da empresa e do tempo de vínculo; alguns estados criaram programas próprios, mas que não cobrem todo o país e pagam apenas parte do salário.

Especialistas consultados consideram a ampliação um avanço concreto, mas ainda insuficiente para configurar uma política de licença parental compartilhada. A advogada Ana Gabriela Burlamaqui declarou que “a ampliação para 20 dias é importante, mas continua sendo tímida”, ressaltando que o modelo brasileiro ainda concentra grande parte do cuidado inicial na mulher.

A norma atualiza o alcance do direito e reconhece situações em que o pai pode assumir integralmente os cuidados do recém‑nascido, amplia o público elegível ao benefício e estabelece garantias trabalhistas relacionadas ao afastamento.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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