Brasil e Índia firmam memorando para aproximar setores produtivos; país também prepara retomada de diálogo com os EUA
Na quinta-feira (27), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas assinaram um memorando de entendimento voltado a fortalecer laços comerciais e de investimento entre Brasil e Índia. A ação integra a estratégia do governo federal de diversificar parceiros comerciais em resposta às sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O acordo, que não cria obrigações legais entre as partes, estabelece uma estrutura de cooperação para troca de informações sobre mercados, difusão de boas práticas, promoção de feiras e estímulo à internacionalização de micro, pequenas e médias empresas (PMEs). O documento também prevê a criação de uma base institucional para desenvolver projetos conjuntos de atração de investimentos e facilitação de negócios.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, a diretriz do Palácio do Planalto é ampliar rotas de exportação e acessar mercados alternativos. O ministro afirmou que as relações comerciais com a Índia cresceram 82% nos últimos anos e que há interesse bilateral em setores como indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes, dispositivos médicos e exploração de minerais críticos, com preocupação em associar parcerias ao desenvolvimento de tecnologia nacional.
No âmbito do comércio com a Índia, Rosa mencionou a possibilidade de ampliar o atual acordo de preferências tarifárias Mercosul-Índia, hoje limitado a 450 linhas de produtos.
Paralelamente à abertura de novas frentes comerciais, o governo brasileiro prepara a retomada das conversas com os Estados Unidos. O ministro Márcio Elias Rosa participará de uma reunião virtual na próxima segunda-feira (31) com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que também contará com a presença do chanceler Mauro Vieira.
A reabertura do diálogo entre Brasil e EUA ocorreu após uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump. De acordo com Rosa, o contato foi determinante para viabilizar a retomada da mesa de negociação sem que o Brasil tivesse de oferecer concessões unilaterais prévias.
Entre os pontos que podem ser tratados na videoconferência estão listas de exceções tarifárias e a possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade. O ministro ressaltou que o país manterá a defesa dos interesses nacionais e seguirá adotando medidas emergenciais de apoio a empresas afetadas, como o programa Brasil Soberano.
O encontro virtual com autoridades norte-americanas marca o início de uma nova etapa de negociações sobre o chamado “tarifaço”, com a intenção de buscar soluções que preservem os interesses econômicos do Brasil.
Com informações de G1




