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segunda-feira, setembro 21, 2026

Brasil bate recorde de transplantes em 2025, mas recusa familiar atinge 45% dos casos

O Brasil registrou em 2025 avanços no número de doadores e procedimentos, porém a negativa das famílias continua a limitar a disponibilidade de órgãos. No contexto do Setembro Verde — mês dedicado à conscientização sobre doação de órgãos, com destaque para o Dia Nacional da Doação em 27 de setembro — autoridades e entidades enfatizam a importância de dialogar com parentes sobre a intenção de ser doador.

Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 4.102 pessoas morreram em 2025 enquanto aguardavam um órgão. Em dezembro daquele ano, havia 73.877 pacientes ativos na lista de espera, número que inclui os que aguardavam por córneas. O Ministério da Saúde registra separadamente os pacientes à espera de órgãos sólidos, que ultrapassaram 49,5 mil em 2026.

Recusa familiar e doadores efetivos

Em 2025 o país alcançou 4.335 doadores efetivos, marca recorde equivalente a 20,3 doadores por milhão de habitantes, de acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). Ainda assim, a recusa da família permaneceu entre os principais entraves: das 15.940 notificações de potenciais doadores no ano, 4.200 resultaram na negativa familiar, uma taxa média de 45%.

No Brasil, a retirada de órgãos e tecidos de doadores falecidos depende da autorização dos parentes, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de doar. Por esse motivo, órgãos públicos e entidades recomendam que a pessoa converse com familiares sobre sua vontade antes de uma eventual situação de luto, para facilitar a tomada de decisão.

Casos e impacto dos transplantes

O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), em Uberlândia, registrou em fevereiro o primeiro transplante alogênico de medula óssea de sua história, marcando um avanço local na oferta de procedimentos.

A trajetória da gaúcha Liège Gautério ilustra o efeito de um transplante na vida de quem espera por um órgão. Diagnosticada com fibrose pulmonar em 2003 e dependente de oxigênio 24 horas por dia, ela recebeu um transplante de pulmão em 2011. Após o procedimento, Liège retomou atividades físicas, tornou-se a primeira mulher brasileira a participar dos Jogos Mundiais para Transplantados em 2015 e conquistou a primeira medalha de ouro feminina do país na competição. Ela criou o projeto Se Mexe TX para incentivar exercícios em pessoas pré e pós-transplantadas e, segundo seu relato à ABTO, começou a competir no fisiculturismo em 2023.

Formada em Educação Física, Liège afirma usar o esporte para divulgar a importância da doação de órgãos e defende que transplanteados que praticam atividades, com acompanhamento médico adequado, tendem a apresentar menos comorbidades e melhor qualidade de vida.

Números gerais de 2025 e distribuição interestadual

Em 2025 o Brasil realizou 31 mil transplantes, o maior total da série histórica registrada pelo Ministério da Saúde, representando crescimento de 21% em relação a 2022, quando ocorreram 25,6 mil procedimentos. Do total de 2025, foram 17.790 transplantes de córnea, 6.697 de rim, 3.993 de medula óssea, 2.573 de fígado e 427 de coração.

A atuação coordenada pela Central Nacional de Transplantes também ampliou a circulação de órgãos entre estados, viabilizando em 2025 a realização de 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas.

Autorização eletrônica e papel da família

Quem deseja manifestar a intenção de doar órgãos pode registrar a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). Desde o início do levantamento foram contabilizadas 32.587 solicitações de AEDO: 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e 5.042 em 2026. São Paulo lidera o número de registros com 9.399 solicitações, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012).

O procedimento de AEDO é gratuito e envolve uma videoconferência com um tabelião para confirmação de identidade; em seguida o registro fica disponível na Central Nacional de Doadores de Órgãos para consulta por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes. No entanto, a AEDO não substitui a necessidade de autorização familiar no momento da doação, razão pela qual as autoridades reforçam a importância de comunicar a decisão aos parentes.

Durante o Setembro Verde, a orientação principal é estimular o diálogo em família sobre doação de órgãos, para que, em caso de confirmação de morte encefálica, a vontade do eventual doador seja conhecida e respeitada.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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