Representantes das montadoras e dos fabricantes de autopeças do Brasil e da Argentina assinaram, na semana passada, a chamada “Declaração de Buenos Aires” com o objetivo de fortalecer a indústria automotiva regional diante do avanço de marcas chinesas. O compromisso foi firmado durante a feira Automechanika, realizada em Buenos Aires.
O documento traça uma agenda conjunta centrada em aumentar a competitividade, atrair investimentos e aprofundar a integração produtiva entre os dois países. As entidades que participaram do evento afirmaram que a iniciativa responde tanto ao aumento da concorrência global quanto às mudanças tecnológicas que vêm impactando o setor.
Do lado brasileiro, a assinatura contou com a presença da Anfavea e do Sindipeças. Pela Argentina, assinaram a Adefa e a Afac. Segundo os signatários, as novas diretrizes da declaração devem ser detalhadas até 2029, prazo estabelecido para criar um ambiente mais favorável a investimentos bilaterais.
Principais pontos
A declaração prevê, entre outros pontos, o desenvolvimento de especialização produtiva e a complementação industrial entre Brasil e Argentina, com a finalidade de ampliar o comércio intrarregional e fortalecer cadeias de valor locais. O texto também prevê a promoção de investimentos equilibrados e sustentáveis nos dois países.
Outro foco da agenda é a coordenação de políticas públicas e privadas para incentivar a criação de tecnologias automotivas na região, com ênfase na produção de autopeças de maior complexidade, como componentes para motores híbridos e elétricos. O acordo também aponta para a padronização de regulamentos técnicos automotivos, inclusive normas aplicáveis ao mercado de reposição de peças.
Entre as medidas propostas está a simplificação de procedimentos aduaneiros nas fronteiras, com o objetivo de reduzir custos e melhorar a eficiência logística nas trocas comerciais entre Brasil e Argentina.
Contexto
O movimento ocorre em meio ao aumento da presença de veículos chineses nos mercados brasileiro e argentino. O tema tem sido motivo de preocupação no setor por anos e gerou disputas políticas em 2025, quando diversas montadoras pressionaram o governo brasileiro a rever benefícios fiscais para importação de carros em estado semi-pronto. Em fevereiro, o presidente da Nissan para as Américas defendeu a taxação de veículos chineses, argumentando pela adoção de medidas de proteção à indústria local.
De acordo com dados apresentados no evento, a indústria automotiva representa cerca de 20% do PIB industrial do Brasil e 8,4% do PIB industrial argentino, empregando, de forma direta e indireta, mais de 1,9 milhão de pessoas.
Com informações de G1




