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sábado, outubro 24, 2026

Brasil registra queda de mais de 1 milhão de matrículas entre 2024 e 2025, diz Censo; ensino médio atinge menor nível do século

O número de matrículas na educação básica brasileira recuou de 47,08 milhões em 2024 para 46,01 milhões em 2025, segundo o Censo Escolar 2025 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 26 de fevereiro de 2026. A redução superior a um milhão de estudantes supera a retração ocorrida entre 2020 e 2021, na fase mais crítica da pandemia de Covid-19.

O total apurado abrange creche, pré‑escola, ensino fundamental, ensino médio, cursos técnicos, cursos de qualificação profissional e Educação de Jovens e Adultos (EJA). O Inep aponta como fatores principais para essa diminuição a perda acentuada de matrículas no ensino médio, a retração na educação infantil, o enfraquecimento da EJA e a queda no técnico subsequente.

Ensino médio

O ensino médio teve 7.370.879 matrículas em 2025, nível mais baixo registrado pelo Censo no século XXI. A rede pública caiu aproximadamente 6,30%, de 6.759.848 para 6.334.224 alunos, enquanto a rede privada apresentou aumento de cerca de 0,59%, passando de 1.030.548 para 1.036.655 matrículas. No total, a queda entre 2024 e 2025 foi de cerca de 5,39% (de 7.790.396 para 7.370.879).

São Paulo concentrou a perda mais intensa: 251.987 estudantes a menos em um ano, o que representa uma redução de 13,6%. O Inep não registrou, em primeira análise, qualquer alteração metodológica no Censo que explique essa queda tão marcada.

Historicamente, as matrículas no ensino médio cresceram até alcançar um pico de 9,16 milhões em 2004 e, desde então, vêm em declínio. Em 2004 a rede pública tinha cerca de 8 milhões de alunos; em 2025 esse número caiu para 6,3 milhões. A expansão discreta do ensino privado, em torno de 1 milhão de matrículas, não compensou as perdas da rede pública.

Educação infantil

A educação infantil apresentou retração de 205.712 matrículas (-2,17%), sendo 200.667 dessas perdas na pré‑escola. O número de estabelecimentos também diminuiu: entre 2024 e 2025 foram 1.126 pré‑escolas a menos na rede pública e 250 a menos na rede privada.

Segundo dados da Pnad Contínua 2024 citados pelo Censo, o acesso à creche está em 39,7% (a meta do Plano Nacional de Educação era 50%) e o acesso à pré‑escola em 93,4% (meta de 100%). Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG Todos Pela Educação, afirmou que “o Brasil precisa avançar muito” e destacou que, no novo PNE em discussão, a meta para creches deve subir para 60%.

EJA e ensino técnico

A Educação de Jovens e Adultos registrou queda de 5,8% nas matrículas entre 2024 e 2025. No ensino médio da EJA houve diminuição de aproximadamente 130 mil matrículas, de 976.390 para 845.627. Apesar de 801 novos estabelecimentos ofertarem a modalidade, o total de turmas caiu em 734.

No ensino técnico, a modalidade subsequente (cursada após o término do ensino médio) teve a maior perda proporcional entre as etapas, com redução de 16,25% — 161.410 alunos a menos em relação a 2024. O Censo também indicou 56.946 matrículas no curso técnico integrado ao EJA, nova modalidade registrada na pesquisa. As demais formas de oferta técnica são o integrado (ensino médio e técnico juntos) e o concomitante (matrículas separadas para ensino médio e técnico).

Ensino fundamental

O ensino fundamental apresentou queda de 195.589 matrículas entre 2024 e 2025, o que representa um recuo proporcional menor (-0,75%) diante do grande volume total de alunos do 1º ao 9º ano.

O Inep relaciona parte da redução geral de matrículas à diminuição da população‑alvo da educação básica, especialmente nas faixas etárias de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos, conforme explicou o pesquisador Fábio Pereira Bravin, da Diretoria de Estatísticas Educacionais do órgão.

Entre os 26 estados e o Distrito Federal, o ensino médio registrou queda nas matrículas em quase todas as unidades federativas; exceções foram Amapá (+0,84%), Distrito Federal (+0,53%) e Pernambuco (+0,42%).

Os dados do Censo Escolar 2025 mostram um panorama de redução de oferta e de procura em diferentes etapas da educação básica, sem indicadores de mudança metodológica imediata que expliquem todas as variações observadas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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