Busca por trufas vira atividade perigosa em Deir El-Zour
Na região de Deir El-Zour, no nordeste da Síria, a coleta de trufas transformou-se em uma das poucas fontes de renda para moradores locais, mas traz riscos graves à vida. Conhecidas localmente como a “iguaria banhada em sangue”, as trufas chegam a ser vendidas por até US$ 50 por quilo, atraindo caçadores que trabalham em um território marcado por anos de conflito.
Apesar de uma paz ainda frágil, os coletadores enfrentam a ameaça de grupos armados, entre eles o Estado Islâmico. No entanto, o perigo mais constante são as minas terrestres deixadas espalhadas pelo solo após combates anteriores. Moradores relatam que as crônicas da região incluem explosões que atingem veículos e pessoas.
O caçador Hassan Al-Daham Al-Hassan afirmou que encontra minas enquanto vasculha o terreno em busca de trufas. Segundo ele, caminham e recolhem os fungos em áreas onde há explosivos enterrados. Hassan relatou que uma mina detonou uma caminhonete em que estava, deixando-o com um braço quebrado e as costas repletas de estilhaços.
Outro coletor, Hamza Al-Mohammad, também sofreu ferimentos graves após a explosão de uma mina. Hamza disse que não havia qualquer sinalização advertindo sobre o perigo na área onde trabalhava e pediu uma solução do governo para o problema. Segundo ele, as explosões ocorrem diariamente e têm atingido pessoas, situação que, em suas palavras, tornou-se um desastre.
As condições adversas impulsionam muitos a continuar a busca pelas trufas, apesar dos riscos evidentes. A combinação entre a necessidade econômica e a presença de armamentos e dispositivos explosivos remanescentes da guerra converte a atividade em uma das mais perigosas para a população de Deir El-Zour.
O cenário reflete a dificuldade de retomar uma vida segura e regular na região, onde a escassez de alternativas econômicas leva moradores a enfrentar áreas contaminadas por minas para garantir sustento.
Com informações de G1




