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sábado, outubro 24, 2026

Ex-jogadoras da seleção visitam escola no Rio para incentivar alunas em atividade esportiva

Na tarde de quarta-feira (21 de outubro de 2026), a Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, teve o campo ocupado apenas por garotas durante um minitorneio que reuniu quatro equipes. O público masculino ficou restrito às arquibancadas. A atividade marcou a abertura do Pioneiras nas Escolas, projeto que leva ex-atletas da seleção brasileira para dialogar com estudantes da rede pública do Rio de Janeiro.

Antes dos jogos, mais de 100 alunas se reuniram em um auditório para ouvir relatos, fazer perguntas e registrar fotografias com as ex-jogadoras Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins, conhecidas pelos apelidos Caju, Fia e Pelezinha. As atletas compartilharam histórias de perseverança e também relataram o preconceito e o machismo que enfrentaram ao longo das carreiras.

Contexto histórico

As ex-jogadoras lembraram que, entre 1941 e 1979, o futebol era proibido para mulheres com base no Decreto-Lei 3.199. A liberação ocorreu em 1979, com regulamentação apenas em 1983. A primeira seleção brasileira feminina participou de uma competição experimental na China em 1988; a primeira Copa do Mundo feminina foi disputada em 1991, também na China, e o futebol feminino estreou nos Jogos Olímpicos em 1996, em Atlanta.

Depoimentos e trajetórias

Fia, hoje com 62 anos, relatou a convivência com o machismo na juventude e afirmou que sempre jogou com meninos, confiando no próprio talento. Ela passou cinco anos na seleção, conquistou três títulos continentais e participou da primeira Copa do Mundo e da primeira Olimpíada.

Caju, de 60 anos, atuou pela seleção entre 1988 e 1999, acumulando 43 partidas, das quais 34 terminaram em vitória. A ex-zagueira recordou provocações de torcedores que menosprezavam a presença feminina no futebol e disse que isso só aumentou a vontade de provar a capacidade das atletas; hoje ela atua como árbitra.

O projeto é coordenado por Duda Luizelli, também ex-jogadora da seleção, que vestiu as camisas do Internacional (Porto Alegre), Milan e Verona. Duda destacou a importância do estudo como base para a continuidade profissional após a carreira esportiva, lembrando que a vida de atleta costuma ser curta.

Educação e legado olímpico

A Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro é parceira do Pioneiras nas Escolas. Desde 2012, a Juan Antonio Samaranch é classificada pela prefeitura como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), com ensino integral e incentivo a práticas esportivas. A escola atende cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos e conta com treinadores em 19 modalidades. Segundo a prefeitura, o projeto surgiu durante a preparação para os Jogos Rio 2016 e é mantido como legado olímpico; atualmente, a cidade possui 12 GEOs.

Caroline Guedes, coordenadora de Projetos Integradores da SME, relacionou o Pioneiras nas Escolas à preparação do Rio de Janeiro para ser uma das oito cidades-sedes da Copa do Mundo feminina, prevista para ocorrer entre junho e julho de 2027, e salientou a importância de se preparar desde o primeiro ginásio olímpico da rede.

Alunas presentes, como Letícia Pereira, do 9º ano, de 15 anos, afirmaram considerar um privilégio receber as ex-jogadoras e disseram que a experiência reforça a ideia de que o esporte pode oferecer futuro profissional. Letícia declarou ainda que pretende acompanhar os jogos da Copa no próximo ano.

Com informações de Agência Brasil

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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