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segunda-feira, setembro 14, 2026

Calor recorde dos oceanos eleva riscos para pesca, turismo e energia

O aquecimento extremo dos mares já apresenta consequências econômicas. Pesquisadores e organizações internacionais afirmam que a elevação das temperaturas oceânicas, que atingiu média de 21,07 ºC em agosto de 2026 segundo o observatório europeu Copernicus, ameaça a oferta de pescado, compromete atividades turísticas costeiras e aumenta a vulnerabilidade de infraestruturas energéticas.

Especialistas consultados destacam que o fenômeno não se limita ao ambiente marinho: altera a distribuição das espécies, provoca mortandade e doenças em peixes, danifica recifes e coloca em risco operações industriais que dependem da água do mar. Tom Pickerell, diretor do programa de oceanos do World Resources Institute (WRI), afirmou em entrevista à imprensa que o aquecimento prolongado dos oceanos já representa um problema econômico e deveria preocupar autoridades financeiras.

Na pesca, as ondas de calor marítimas reduzem a disponibilidade de capturas ao forçar migrações para águas mais frias ou ao provocar mortalidade. Kathryn Smith, da Associação Britânica de Biologia Marinha, alerta que isso pode levar ao fechamento de áreas de pesca e a perdas que variam de milhões a bilhões de dólares para comunidades afetadas, com reflexos na indústria de processamento, exportadores, comerciantes e consumidores.

Como exemplo prático, especialistas citam o Marrocos, onde o aumento da temperatura contribuiu para a redução das populações de sardinha, gerando proibição de exportações e escassez nos mercados europeus.

O setor turístico também é afetado: recifes de coral, muito sensíveis ao aumento térmico, sofrem branqueamento e degradação, o que reduz o atrativo para mergulho e a frequência de visitantes. A perda de biodiversidade e de paisagem nos litorais impacta hotéis, restaurantes, operadores turísticos e trabalhadores locais.

Na área de energia, há registros de interrupções operacionais ligadas a organismos marinhos e à alteração das condições do mar. Um caso citado é o da França, onde reatores nucleares foram parados por causa da proliferação de águas-vivas que afetaram sistemas que utilizam água do mar. Esses episódios podem reduzir produção, elevar custos operacionais e exigir investimentos em medidas de adaptação.

O aquecimento também contribui para a elevação do nível do mar, já que a água se expande ao aquecer, pressionando cidades e infraestrutura costeira e exigindo maiores gastos com proteção e reconstrução, especialmente em ilhas e comunidades mais vulneráveis.

Dados adicionais publicados pelo Copernicus Marine Service indicam que o verão de 2026 no hemisfério norte (junho a agosto) foi o mais quente desde 1993. O climatologista Zachary Labe, do centro Climate Central, relaciona os recordes a uma tendência de longo prazo impulsionada pela mudança climática, acentuada neste período pelo fenômeno El Niño. Labe informou que os oceanos passaram por uma sequência de “100 dias de calor recorde” e estimou que temperaturas excepcionais possam persistir pelo menos até 2027, com base em dados preliminares compilados pela NOAA.

Para os cientistas, as respostas imediatas são limitadas: além de reduzir rapidamente as emissões de gases de efeito estufa, empresas, governos e comunidades costeiras terão de ampliar ações de adaptação. A pesquisadora Claire Bergin, da Universidade de Maynooth, ressalta que a adaptação no ambiente marinho é complexa e mais restrita do que as soluções disponíveis em terra.

O impacto econômico do aquecimento dos oceanos será tema relevante na agenda climática internacional, incluindo a COP31, que ocorrerá em novembro de 2026 em Antália, na Turquia.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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