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sexta-feira, outubro 30, 2026

Classificação ambiental da tilápia pode reduzir em até 90% exportações brasileiras

A possível inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras coloca em risco grande parte das exportações brasileiras de pescado. A votação da proposta pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) está marcada para 26 de maio e pode alterar o status da espécie no cenário ambiental e comercial.

Uma análise técnica produzida pela PEIXE BR aponta que a mudança de classificação tende a causar perdas superiores a US$ 38 milhões, comprometendo a competitividade da tilápia brasileira no mercado exterior. Atualmente, cerca de 85% das exportações de tilápia do Brasil têm como destino os Estados Unidos, com um volume aproximado de US$ 35 milhões por ano.

Preocupações com o reconhecimento ambiental

Segundo o estudo da PEIXE BR, o enquadramento da tilápia como invasora pode ser interpretado internacionalmente como um reconhecimento oficial de risco ambiental. Essa leitura, alertam os técnicos, pode levar a restrições comerciais adicionais e a exigências sanitárias mais rígidas por parte de países importadores, dificultando o acesso ao mercado estrangeiro.

O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, citou como referência o caso da carpa asiática nos Estados Unidos: após sua classificação como espécie invasora em 2010, as exportações dessa carpa registraram queda de quase 97% em apenas um ano. Para o setor aquícola brasileiro, esse precedente serve como alerta sobre os impactos que uma decisão similar poderia provocar.

Impactos na cadeia aquícola

A avaliação técnica também destaca que a mudança de status da tilápia não afetaria apenas essa espécie. Produtos nativos como tambaqui e pintado podem sofrer efeitos indiretos decorrentes do endurecimento das exigências internacionais. A PEIXE BR projeta que o chamado “efeito cascata” poderia gerar perdas anuais próximas de US$ 64 milhões para o conjunto do setor pesqueiro exportador do país.

Outro ponto citado no documento refere-se às certificações internacionais — entre elas BAP, ASC e Global G.A.P. —, que demandam controles ambientais rigorosos. Caso a nova classificação avance, produtores brasileiros poderão enfrentar aumento nas exigências para manter ou obter essas certificações.

O debate sobre a inclusão da tilápia na lista de exóticas invasoras ocorre em um momento de expansão da aquicultura nacional, que vem se consolidando como um dos principais produtores globais da espécie. Representantes do setor pedem cautela na análise da proposta, ressaltando os possíveis reflexos econômicos e produtivos para toda a cadeia aquícola brasileira.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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