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quinta-feira, novembro 5, 2026

Cola, sucção e jaulas: estratégias diversas das plantas carnívoras para capturar presas

As plantas carnívoras empregam armadilhas variadas para capturar presas, que vão desde gotas pegajosas que lembram orvalho até câmaras que sugam animais, jaulas que se fecham rapidamente e armadilhas subterrâneas. Nem sempre as estruturas de captura são óbvias como a boca de uma Nephentes ou as garras da dionaea, conhecida como apanha-moscas; em muitas espécies, os mecanismos são discretos, como colas na superfície das folhas ou armadilhas que funcionam debaixo da terra ou na água.

Segundo Julio Santiago, mestrando em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre da UFMG, a síndrome carnívora surgiu como uma adaptação de sobrevivência em solos pobres em nutrientes. O professor Paulo Gonella, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), ressalta que, apesar de capturarem animais, essas plantas continuam dependendo principalmente da fotossíntese para obter energia; os insetos e outros organismos servem para suprir nutrientes escassos no solo, como nitrogênio e fósforo.

As presas mais frequentes são insetos, mas algumas espécies consomem larvas, vermes, protozoários e, ocasionalmente, animais maiores, como sapos, roedores ou aves desprevenidas. Espécies do gênero Nephentes possuem formato de jarro que pode reter animais maiores de forma acidental — muitas vezes atraídos pelos insetos já presos ou pelo néctar açucarado liberado pela planta. Em alguns casos, a ingestão de uma presa muito grande pode provocar apodrecimento pela dificuldade de digestão.

Entre as maiores espécies conhecidas estão a Drosera magnifica, originária de Minas Gerais, e a Nephentes rajah, da ilha de Bornéu, ambas podendo alcançar até 1,5 metro de altura, segundo Julio Santiago. No conjunto global, há cerca de 860 espécies de plantas carnívoras identificadas, com concentração nos gêneros Drosera, Utricularia e Nephentes, conforme o estudo “Conservação das plantas carnívoras na Era da Extinção” (2020), publicado na revista Global Ecology and Conservation por Gonella e colaboradores.

O Brasil figura como o segundo país com maior número de espécies, com aproximadamente 130, atrás apenas da Austrália, que tem cerca de 250. Do total mundial, cerca de 193 espécies (20%) estão ameaçadas de extinção; 28 delas ocorrem no Brasil, sendo 13 classificadas como criticamente ameaçadas. O país concentra o maior número de espécies nesse estado de conservação.

O gênero Philcoxia, endêmico do Brasil e presente no Cerrado e na Caatinga, figura entre os mais preocupantes: todas as suas espécies estão ameaçadas, segundo Gonella. Essas plantas crescem em areias muito brancas, têm flores lilases e capturam pequenos vermes do solo por meio de folhas adesivas subterrâneas. Além disso, cerca de 40% das espécies do gênero Drosera também estão em risco.

Em relação ao contato humano, não há evidências de que plantas carnívoras sejam venenosas ou interessadas em carne humana. Segundo Santiago, tocar uma armadilha pode estimular a planta, mas geralmente não há força ou sinalização suficiente para prender um dedo; a detecção de presas está ligada à presença de quitina, componente do exoesqueleto dos insetos.

As principais ameaças às plantas carnívoras incluem a destruição de habitats para expansão agrícola e o uso de fertilizantes e pesticidas, que alteram a composição do solo, favorecendo espécies invasoras e reduzindo os locais adequados para essas plantas, alerta Gonella.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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