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segunda-feira, outubro 26, 2026

Como pronunciar os nomes “difíceis” da Copa: principais erros e explicações de linguistas

Pronunciar corretamente os nomes de jogadores em Copas do Mundo tem se mostrado um desafio para narradores, comentaristas e torcedores. Sobrenomes como Muharemović, Hadžikadunić, Gvardiol, Hadžiahmetović e Sebelebele ilustram as dificuldades geradas por diferenças fonéticas entre o português e idiomas de países como Bósnia e Herzegovina, Croácia, Marrocos e África do Sul.

Por que é difícil

Especialistas apontam três fatores que mais atrapalham a pronúncia: distinção entre consoantes “duras” e “brandas” em línguas eslavas, presença de sons palatais e acúmulo de consoantes em sequência. Esses elementos não correspondem diretamente ao que aparece escrito em alfabeto latino, o que leva à leitura incorreta por falantes do português.

O caso das línguas eslavas

Gueorgui Hristovsky, diretor do Centro de Línguas e Culturas Eslavas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, explica que, embora Croácia, Tchéquia e Bósnia usem o alfabeto latino, regras de leitura e caracteres especiais produzem pronúncias distintas. A combinação gráfica “dž”, por exemplo, equivale ao som de “dj” em português do Brasil (como em “dia”), segundo Hristovsky. Outro ponto frequente de erro é a terminação “ić”, que nas línguas eslavas soa como “itch”, mas tende a ser lida apenas como “ic” por brasileiros. Além disso, muitos sobrenomes eslavos são morfologicamente compostos e extensos, o que aumenta a dificuldade de leitura.

Nomes africanos e aglutinação de consoantes

No caso de origens africanas, a maior barreira são grupos consonantais como “mb” e “nd”, especialmente no início das palavras. Margarida Peter, mestre em linguística e professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, destaca que nesses casos há uma consoante nasal ligada a outra consonante com o mesmo ponto de articulação, som característico de várias línguas africanas. O resultado costuma ser um aportuguesamento: muitos falantes introduzem uma vogal de apoio antes da sequência consonantal, transformando foneticamente termos de formas que se aproximam de exemplos como “inhoque”, “M’Boi Mirim” ou “IMbappé”.

Transliteração e recomendações

Para tentar se aproximar da pronúncia original, os especialistas recomendam familiarizar-se com os sons típicos do idioma de origem e, quando possível, consultar transliterações oficiais — por exemplo, fornecidas por embaixadas. Hristovsky ressalta que a transliteração não é perfeita, mas aproxima muito a leitura do som real. Peter lembra também que grafias atuais de nomes africanos muitas vezes refletem adaptações coloniais (francesas ou inglesas), e que algumas línguas africanas empregam tons que o português não registra, o que dificulta ainda mais uma reprodução fiel.

Em suma, a dificuldade em falar corretamente esses nomes decorre tanto de diferenças fonéticas e gráficas quanto de limitações do português para reproduzir sons e marcas tonais presentes em outras línguas. A orientação dos especialistas é buscar referências na língua de origem e aceitar que a aproximação fonética será mais viável do que a reprodução exata dos sons nativos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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