O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã vem provocando impactos nas vendas internacionais do agronegócio do Espírito Santo, sobretudo nos mercados de café e pimenta-do-reino. Produtores e exportadores do estado relatam dificuldade para negociar cargas e enfrentar custos maiores de transporte e seguro desde o início das hostilidades.
O cessar-fogo anunciado em 7 de abril de 2026 trouxe alívio temporário aos mercados, mas durou menos de 24 horas. O Irã acusou os Estados Unidos de novos ataques e, em seguida, voltou a fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio marítimo mundial, aumentando a incerteza para os embarques capixabas.
Em 2025, o Espírito Santo exportou US$ 186,2 milhões para países do Oriente Médio, com destaque para o café (US$ 119,6 milhões) e a pimenta-do-reino (US$ 56,1 milhões). Em 2026, até fevereiro, as vendas ao mercado regional somaram US$ 29,2 milhões, alta de 34,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O analista de mercado Marcus Magalhães afirmou que a trégua cedo sentida não assegura estabilidade, porque a dinâmica do conflito muda rapidamente. Ele observou oscilações nos preços do petróleo e do dólar durante a semana: na semana passada o barril chegou a US$ 120, e na noite de terça (7) caiu a US$ 93; o dólar alcançou R$ 5,06, nível não visto há cerca de dois anos. Essas variações influenciam o custo do frete e insumos, como fertilizantes, afetando a competitividade das exportações.
O tempo de navegação entre portos do Espírito Santo e o Oriente Médio pode atingir cerca de 30 dias, o que significa que cargas já embarcadas ainda sofrerão reflexos da instabilidade. Magalhães comparou a situação a um cristal que sofreu uma trinca: mesmo que algum alívio ocorra, a marca da instabilidade tende a persistir.
A pimenta-do-reino enfrenta desafios específicos. O estado é o maior produtor do país, com mais de 12 mil propriedades, concentradas principalmente na região norte. A safra de 2026 já foi colhida e está pronta para exportação, mas parte da produção tem dificuldade em encontrar destinos fora do Oriente Médio. Exportadores relatam que buscam novos compradores na Europa, África e Ásia, mas esbarram na diferença de exigência de qualidade, já que parte da mercadoria tradicionalmente vendida ao Oriente Médio é aceita com padrões menos rigorosos.
Além da menor demanda, houve aumento no custo do frete marítimo e no seguro das cargas, porque embarcações optaram por rotas alternativas para evitar áreas de risco. Exportadores dizem que, se o comprador insistir, arca com fretes mais altos; caso contrário, pode ser necessário redirecionar ou devolver a carga.
Durante a breve trégua, foi anunciada uma reunião entre delegações dos Estados Unidos e do Irã no Paquistão para tentar negociar um fim definitivo ao conflito. O encontro foi marcado para sexta-feira, 10 de abril, em Islamabad, a pedido do primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, que atua como mediador.
O Governo do Espírito Santo informou que segue monitorando os desdobramentos do conflito e seus reflexos no comércio exterior, acompanhando os dados para avaliar impactos e orientar a atuação diante de um cenário internacional mais volátil.
Com informações de G1




