Um comunicado do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social alerta que a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã tem provocado efeitos econômicos e humanitários de alcance global. Segundo o texto assinado por Vijay, os ataques vêm ampliando tensões no Oriente Médio e contribuindo para disrupções no comércio internacional, com impactos diretos sobre preços de energia, fertilizantes e alimentos.
O economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Máximo Torero, afirmou em entrevista coletiva diária das Nações Unidas que o episódio não é apenas um choque sobre energia, mas um choque sistêmico que afeta os sistemas agroalimentares em escala mundial. O comunicado ressalta que a região do Golfo Pérsico responde por quase metade do comércio global de enxofre, insumo usado na produção de ácido sulfúrico, necessário para o processamento da rocha fosfática em fertilizantes.
De acordo com o texto, a interrupção no fornecimento de enxofre e o aumento do preço do petróleo elevam o custo dos fertilizantes e do combustível, criando um “duplo choque” para os agricultores — maiores despesas com insumos e elevação dos custos de irrigação e transporte. A FAO, representada por Torero, advertiu que mesmo com um eventual fim dos combates, os preços dos alimentos tendem a permanecer elevados até o ano seguinte, o que pode aprofundar pobreza e fome em centenas de milhões de pessoas, especialmente em países do Sul Global já submetidos a endividamento e políticas de austeridade.
Sequência de conflitos e acusações de ilegalidade
O texto lista cinco conflitos que o Instituto classifica como parte de uma política agressiva liderada pelos EUA, muitos deles em conjunto com Israel, e afirma que todos violam a Carta das Nações Unidas. Os episódios citados são:
- Venezuela — Em 3 de janeiro de 2026, os EUA teriam invadido o país, sequestrado o presidente em exercício e imposto exigências formuladas pelo governo estadunidense, em violação ao Artigo 2 da Carta da ONU.
- Cuba — O bloqueio econômico dos EUA contra Cuba, vigente desde 1960, foi considerado ilegal por violar o Artigo 41 da Carta da ONU. Em 29 de janeiro de 2026, o governo Trump proibiu que terceiros países forneçam petróleo a Cuba, reduzindo o suprimento energético do país para cerca de um terço.
- Irã — Em 28 de fevereiro de 2026, ataques comandados pelos EUA e Israel teriam matado civis, destruído infraestrutura, e assassinado o Líder Supremo Ali Khamenei, além de terem dado sequência a bombardeios a instalações nucleares ocorridos em junho de 2025. Essas ações teriam provocado retaliações do Irã e o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, contribuindo para uma crise de combustíveis e alimentos.
- Líbano — Israel teria intensificado bombardeios sobre o sul do país e Beirute, deslocando um quinto da população e causando milhares de mortos e feridos, também em violação ao Artigo 2 da Carta da ONU.
- Palestina — Apesar de cessos de fogo, o documento acusa Israel de ataques repetidos em Gaza, confisco de terras na Cisjordânia ocupada e remoção de palestinos, contrários a várias resoluções da ONU sobre a ocupação.
O Instituto observa que essas guerras estariam conectadas a um padrão imperialista estadunidense e que, diante da perda de influência econômica relativa e da ascensão de potências do Sul Global — citando a China —, os EUA teriam apelado com maior intensidade para a força militar. Ainda segundo o comunicado, esses conflitos mostram que, embora seja possível destruir infraestrutura ou causar baixas civis, as potências atacadas não têm se submetido.
O texto também registra esforços de movimentos globais pela paz: menciona a campanha “Basta de Guerra Fria”, lançada em 2020 com uma declaração de 176 palavras traduzida para vinte idiomas, apoiada por mais de duas mil pessoas e por mais de vinte organizações. O coletivo, do qual o autor afirma fazer parte, teria ampliado sua atuação e disponibilizado material em um novo site para engajamento.
Além dos casos detalhados, o comunicado cita outros conflitos em curso no mundo, como Mianmar, Sudão e Ucrânia, mas informa que esses serão tratados em outra oportunidade.
O documento conclui destacando exemplos históricos de resistência e lembrando a militante marroquina Saïda Menebhi (1952–1977), presa em 16 de janeiro de 1976 e morta após participação em greve de fome em 11 de dezembro de 1977 no Hospital Ibn Rushd, em Casablanca, aos 25 anos — citada como símbolo de resistência contra a violência política.
O Instituto pede que a comunidade internacional una-se em condenação às ações que classifica como imperialistas e afirma que, apesar da aparente continuidade dos conflitos, eles poderão terminar diante da resiliência dos povos afetados.
Com informações de Uberlandianofoco




