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sexta-feira, outubro 23, 2026

Crianças hospitalizadas preferem histórias com animais e monstros, aponta estudo

Pesquisa revela preferência por personagens fantásticos entre pequenos internados

Livros protagonizados por animais ou monstros com características humanas são os favoritos de crianças internadas, segundo o levantamento “Entre bichos e monstros”, conduzido por pesquisadoras da Unicamp e da Unifesp e publicado na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (RBEP). O estudo indica que, quando podem escolher, os pacientes entre 6 e 10 anos optam por relatos fantásticos em vez de narrativas centradas em personagens humanos.

O trabalho avaliou 174 crianças internadas em dois hospitais de perfis distintos: o Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas, e o Hospital da Criança Rede D’Or São Luiz, em São Paulo. Apesar das diferenças socioeconômicas e dos variados contextos educacionais e familiares dos participantes, a preferência pelo fantástico se mostrou similar entre os grupos.

Lista de títulos mais citados

Em alusão ao Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado em 18 de abril, o levantamento apontou os livros mais mencionados pelas crianças:

  • “O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado” (Audrey e Don Wood)
  • “O grande rabanete” (Tatiana Belinky)
  • “Monstro Rosa” (Olga de Dios)
  • “Macaco danado” (Julia Donaldson)
  • “Carona” (Guilherme Karsten)
  • “Pinóquio” (Carlo Collodi)
  • “O monstro monstruoso e a caverna cavernosa” (Rosana Rios)
  • “Um leão dentro de nós” (Rachel Bright)
  • “Os músicos de Bremen” (Irmãos Grimm)
  • “Gildo” (Silvana Rando)

Segundo Beatriz Burgo, pesquisadora da Unicamp e uma das autoras do estudo, personagens fantásticos criam um distanciamento emocional que permite à criança envolver-se com a narrativa sem confrontar diretamente questões humanas que, em contexto hospitalar, podem ser dolorosas. Esse afastamento funciona como uma espécie de válvula de escape segura, contribuindo para o acolhimento e a redução do sofrimento durante a internação.

As autoras também destacam a importância de devolver às crianças o poder de escolha. No estudo, os pequenos puderam manusear capas, sentir o formato dos livros e ouvir resumos curtos sem spoilers antes de decidirem qual leitura queriam. A experiência mostrou que, enquanto adultos costumam preferir obras com mensagens educativas, as crianças buscam narrativas que as transportem para longe da rotina hospitalar.

Para analisar como a estrutura textual influenciava a preferência, as pesquisadoras classificaram os livros em três grupos: Narrativas Simples (ações lineares e rápidas), Narrativas Complexas (personagens que erram e se transformam) e Poesias Narrativas (ritmo e rimas com efeito lúdico).

O relatório também relaciona a escolha de bichos e monstros ao fato de esses personagens humanizados facilitarem a elaboração de sentimentos — medo, saudade e ansiedade — permitindo que temas difíceis sejam processados de forma segura e lúdica.

Além do estudo, iniciativas como a Associação Viva e Deixe Viver atuam na humanização do atendimento com contação de histórias em hospitais. A organização, fundada por Valdir Cimino, tem quase 30 anos, é reconhecida como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, recebe apoio de empresas e conta atualmente com 721 voluntários que trabalham em 90 hospitais. Apenas em 2025 foram mais de 13,4 mil livros lidos na iniciativa.

O impacto observado pelos pesquisadores indica que leituras prazerosas podem melhorar o bem-estar físico e emocional das crianças durante a hospitalização, oferecendo momentos de imaginação e identificação em um ambiente muitas vezes desconhecido e ameaçador.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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