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sexta-feira, outubro 16, 2026

Dario Durigan assume Ministério da Fazenda com foco na continuidade e no controle das contas em ano eleitoral

Dario Durigan, anunciado na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como novo ministro da Fazenda, tomou posse para substituir Fernando Haddad, que deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo. Ex-subchefe da pasta, Durigan chega ao comando sem surpreender o mercado, que recebeu a nomeação de forma positiva até o momento.

Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que o principal papel do novo ministro será manter a disciplina fiscal no ano eleitoral e implementar as diretrizes já traçadas pela equipe anterior. “O Durigan participou ativamente da agenda econômica desde o início. Agora, à frente do ministério, ele deve manter o legado de Haddad, principalmente na sustentação fiscal”, afirma Erich Decat, analista político.

Perfil e experiências

Com passagem pela Advocacia-Geral da União (AGU) e atuação no setor privado, Durigan participou de iniciativas relacionadas ao aumento de arrecadação — incluindo elevações de tributos —, da articulação da reforma tributária sobre o consumo e da renegociação da dívida dos estados. Sua experiência técnica e discreta aponta para uma gestão de continuidade, segundo analistas.

Desafios imediatos

Entre os desafios apontados está a necessidade de assegurar o cumprimento das metas fiscais e evitar sinais que possam abalar a confiança do mercado. “A prioridade é previsibilidade. O mercado não reage bem a mudanças abruptas, então o foco precisa estar na continuidade das diretrizes fiscais e na clareza da execução”, avalia Raphael Costa, administrador e especialista em gestão empresarial do Grupo 220. Costa ressalta que, no curto prazo, consistência costuma valer mais do que inovação.

O governo enfrentará um espaço apertado para gastos discricionários neste ano, o que tende a provocar bloqueios de despesas. O arcabouço fiscal vigente limita o crescimento real das despesas públicas a até 2,5% ao ano, enquanto os gastos obrigatórios crescem acima desse ritmo, comprimindo recursos para investimentos e despesas livres. Além disso, há sinais de esgotamento do arcabouço, que pode motivar debates sobre um novo modelo a partir de 2027, segundo Decat.

Política e Congresso

Apesar da competência técnica, especialistas questionam o peso político de Durigan para liderar pautas complexas. A proximidade das eleições tende a esvaziar o Congresso, tornando a tramitação de propostas mais sensíveis lenta. Entre os temas em andamento está a PEC conhecida como 6×1, que reduz a jornada de trabalho, e o Imposto Seletivo (IS), previsto para atingir produtos como cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos poluentes, mineração e apostas, com previsão de entrada em vigor em 2027; ambos devem ter andamento limitado até depois do período eleitoral.

Combustíveis e cenário externo

Um teste real para o novo ministro vem da alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, que pressiona preços do diesel. Na terça-feira (24), Durigan informou que o governo propôs um subsídio aos importadores de diesel de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, com metade do custo arcada pela União e metade pelos estados. Como cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, a alta internacional tende a ser rapidamente repassada aos postos, pressionando transporte e inflação.

Medidas como redução de impostos ou novos incentivos exigem articulação com governos estaduais, o que torna a implementação mais complexa.

Até agora, a troca na Fazenda não provocou turbulências, dada a expectativa de continuidade no curto prazo. O desafio imediato para Durigan será preservar a previsibilidade fiscal durante o ano eleitoral; no médio prazo, o cenário dependerá do ambiente político e das decisões que venham a ser tomadas a partir de 2027.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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