A recentíssima decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que equiparou a licença-maternidade de mães biológicas e adotivas, garantindo 120 dias de afastamento remunerado, prorrogáveis por 60 dias, trouxe à tona a importância do período inicial de adaptação entre famílias e crianças adotadas. Em Uberlândia, esse tema ganha relevância diante dos números oficiais da Vara da Infância e Juventude.
Segundo dados locais, 173 famílias — entre casais e solteiros — estão habilitadas para adotar no município. No momento, 13 crianças e adolescentes estão aptos a serem adotados; além disso, outros 11 jovens encontram-se em processo de aproximação para conhecer possíveis famílias adotivas.
As estatísticas de adoções concluídas em Uberlândia mostram 38 registros em 2024, 28 em 2025 e 23 em 2026 até a presente data. Do total de crianças e adolescentes atualmente disponíveis para adoção, 11 são adolescentes e 2 são crianças, o que evidencia um descompasso entre o perfil de candidatos à adoção e o perfil dos menores em situação de acolhimento.
Desafio de casar perfis
A diferença entre a quantidade de pretendentes habilitados e a predominância de adolescentes entre os aptos à adoção explica parte das dificuldades do sistema local. Muitos candidatos manifestam preferência por bebês ou crianças pequenas, enquanto a realidade aponta para um número maior de adolescentes aguardando família.
Para Sara Vargas, presidente da Organização da Sociedade Civil Pontes de Amor, a decisão do STF reforça a necessidade de reconhecer que a chegada de um filho por adoção demanda tempo para adaptação e construção de vínculos, independentemente da idade. “Um dos grandes desafios que enfrentamos hoje é encontrar famílias dispostas a adotar adolescentes. Muitos pretendentes ainda chegam ao processo de adoção com o desejo de receber um bebê ou uma criança pequena, mas a realidade mostra que existem adolescentes esperando por uma família. A decisão do STF é importante porque reconhece que a chegada de um filho por adoção também exige tempo para adaptação, convivência e construção de vínculos, independentemente da idade. Precisamos ampliar esse olhar e mostrar às famílias que a parentalidade adotiva pode ser construída em diferentes fases da vida”, afirma Sara.
Atuação da Pontes de Amor
A Pontes de Amor atua em Uberlândia na preparação de pretendentes e no acompanhamento das famílias durante o processo de adoção. A organização trabalha temas como expectativas, vínculo, adaptação e os desafios da convivência, com o objetivo de promover adoções responsáveis e a garantia dos direitos de crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária.
Os dados e o trabalho local mostram como a ampliação dos direitos de mães adotivas pode contribuir para uma adaptação mais tranquila entre famílias e crianças e adolescentes incorporados por adoção.
Com informações de Uberlandianofoco




