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segunda-feira, outubro 12, 2026

Desafios do agronegócio que o próximo presidente terá de enfrentar, segundo especialistas

Panorama geral

Especialistas consultados pelo G1 afirmam que o novo presidente herdará entraves no agronegócio cuja solução extrapola um mandato de quatro anos. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) apresentou cinco propostas de políticas públicas para enfrentar gargalos relacionados a financiamento, eventos climáticos extremos, infraestrutura, dependência de insumos importados e abertura de mercados no exterior.

Propostas da Abag

A Abag recomenda: uma política nacional de financiamento, seguro rural e resiliência climática, com um marco plurianual e a criação de um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas; uma política industrial para fortalecer cadeias estratégicas e estimular a produção de insumos; uma política de governança, planejamento e financiamento da infraestrutura agroindustrial, com modernização dos processos de licenciamento; uma política de comunicação, educação e valorização do setor; e uma política de inserção internacional e defesa da competitividade brasileira para enfrentar barreiras tarifárias e não tarifárias.

Financiamento e seguro rural

Pesquisadores apontam o custo do crédito como o principal problema. Felippe Serigati, da FGV Agro, afirma que juros altos decorrem do endividamento e do aumento de pedidos de recuperação judicial, levando bancos a serem mais seletivos. Leandro Gilio, do Insper Agro Global, destaca que sucessivas safras prejudicadas por eventos climáticos, juros e custos elevados geram inadimplência e reduzem investimentos.

Hoje, apenas 3% da produção agropecuária está coberta por seguro, segundo pesquisadores. Na quarta-feira (30), o Diário Oficial da União publicou a lei 15.526/2026, que cria um novo marco regulatório para o seguro rural e regulamenta o Fundo de Catástrofe por clima, além de tornar obrigatória a subvenção ao prêmio do seguro rural, medida que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) diz blindar o orçamento contra contingenciamentos.

Cadeias estratégicas e insumos

Carlos Eduardo de Freitas Vian, da Esalq-USP, observa que o Brasil tem matéria-prima para alguns produtos, mas continuará dependendo de importações para outros. A diversificação de fornecedores é sugerida para reduzir exposição a conflitos em rotas internacionais. A Abag também defende aumento da produção de maquinários no país, embora Vian aponte que a maior dependência seja de componentes, como chips, cuja fabricação local seria inviável por falta de demanda.

O “passivo regulatório” que atrasa aprovações de novas tecnologias, especialmente defensivos químicos, é citado como outro desafio, com risco de trade-off entre velocidade de aprovação e segurança ambiental e à saúde.

Infraestrutura agroindustrial

O setor enfrenta limitações de armazenamento, estradas em condições precárias e atrasos em licenças ambientais, afetando custos e provocando perdas. Serigati alerta que aumentar a infraestrutura na mesma velocidade do crescimento da produção em quatro anos é uma tarefa quase impossível — citando a necessidade de ampliar capacidade equivalente a quase 100 milhões de toneladas.

Há também demanda por maior integração entre modais (ferrovias, hidrovias) e por melhor conectividade no campo: mais de 1,3 milhão de domicílios rurais não tinham internet em 2024, o que corresponde a 15% do total, segundo o IBGE. Especialistas defendem participação privada em obras via concessões, privatizações ou parcerias público-privadas e uma política de Estado que ofereça segurança jurídica a investimentos.

Comunicação, imagem e inserção internacional

O agronegócio enfrenta problemas de imagem doméstica e externa. Vian aponta a necessidade de um plano de comunicação que valorize resultados do setor e reconheça vulnerabilidades. Serigati defende políticas públicas articuladas com o setor privado para melhorar a posição do Brasil em negociações e abrir mercados.

Na arena internacional, especialistas ressaltam que o Brasil precisa de acordos comerciais estáveis e atuação proativa para antecipar restrições sanitárias ou ambientais. Gilio cita a falta de acordos de longo prazo, como com a China, e alerta que concentração de exportações em poucos destinos aumenta riscos.

Especialistas apontam, em comum, que muitas das soluções exigem prazos longos e cooperação entre governo, iniciativa privada e instituições de pesquisa, além de recursos e planejamento plurianual.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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