Mensagens em redes sociais e em grupos de conversa têm feito pais, mães e outros responsáveis duvidarem da necessidade e da segurança das vacinas, segundo observações de especialistas. Esse quadro integra o que é conhecido como hesitação vacinal, tema que vem mobilizando profissionais e autoridades de saúde em diversas regiões.
Em artigo publicado na revista Lumen et Virtus (v. XVII, n. LIX, 2026), intitulado “Hesitação vacinal e saúde coletiva: uma análise das causas psicossociais da queda nas taxas de vacinação infantil”, pesquisadores — entre eles T. S. Carvalho e a biomédica e farmacêutica em formação Fernanda Resende — identificam múltiplos fatores que influenciam a decisão das famílias sobre vacinar seus filhos.
De acordo com o estudo, o receio de possíveis efeitos adversos é uma das motivações mais citadas. A circulação de informações falsas nas plataformas digitais amplifica esse medo: vídeos, postagens e relatos pessoais podem alcançar grande audiência em curto espaço de tempo, mesmo quando não há respaldo científico.
Além da desinformação, o artigo aponta a perda de confiança em instituições, experiências negativas prévias com serviços de saúde e dificuldades práticas de acesso às unidades como elementos que contribuem para o adiamento ou recusa da vacinação. Em muitos casos, a conduta não reflete falta de cuidado, mas insegurança diante de informações contraditórias.
Os autores lembram que a vacinação é uma das estratégias de saúde pública que mais contribuiu para reduzir internações, sequelas e mortes por doenças infecciosas. Quando a cobertura vacinal diminui, enfermidades antes controladas podem retornar, ameaçando principalmente crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades.
O texto também ressalta o papel coletivo da imunização: a proteção não se limita ao indivíduo vacinado, pois a imunidade de grupo reduz a circulação de agentes infecciosos na população. Assim, a queda nas taxas de vacinação tem potencial para reverter ganhos obtidos ao longo de décadas.
Antes de compartilhar conteúdos sobre vacinação, o artigo sugere uma atitude simples e prática: verificar a origem da informação e se ela possui sustentação científica, evitando a propagação de relatos não verificados que possam agravar a hesitação vacinal.
Por Fernanda Resende, biomédica e farmacêutica em formação.
Com informações de Uberlandianofoco




