A conclusão do ensino superior está associada a um aumento significativo de renda, mas a entrada no mercado de trabalho continua marcada por dificuldades, segundo a 5ª Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp. A apuração, feita entre 8 de julho e 23 de agosto de 2026, ouviu 4.106 egressos de 200 instituições e 134 cursos em todo o Brasil.
Renda e ocupação
O rendimento médio bruto mensal declarado pelos participantes subiu de R$ 2,7 mil antes da graduação para R$ 5,8 mil após o diploma, um aumento de 110%. Do total de entrevistados, 82% exercem alguma atividade; entre os que têm trabalho remunerado, 77,1% atuam na área de formação e 22,9% em outra área.
Quanto às faixas de salário, entre os ocupados a maior concentração está entre R$ 3 mil e R$ 5 mil (29,1%), seguida por R$ 5 mil a R$ 10 mil (22,5%). No recorte por atuação na própria formação, 55,9% recebem até R$ 5 mil, 34,3% entre R$ 5 mil e R$ 15 mil e 9,8% acima de R$ 15 mil. Para quem trabalha fora da área, 74% recebem até R$ 5 mil.
Cursos e empregabilidade
Medicina lidera entre os cursos com maior proporção de egressos atuando na própria área, com 95,7%. Em seguida aparecem Odontologia (84,5%), Engenharia Elétrica (80%), Sistemas de Informação (79,2%), Farmácia (77,4%), Fisioterapia (77,1%), Educação Física (75%), Pedagogia (74,8%), Medicina Veterinária (70,4%) e Psicologia (69,4%).
Em outros cursos, parcela maior dos formados atua fora da formação: Gestão de Pessoas/RH (42,2%), Marketing (32,1%), Engenharia Civil (31%), Análise e Desenvolvimento de Sistemas (30%), Engenharia de Produção (26,1%), Logística (24,6%) e Biomedicina (24,3%).
No levantamento também foram identificados cursos com maior proporção de egressos sem atividade remunerada: Biomedicina e Marketing (ambos 34%), Ciência da Computação (32,5%), Gestão de Pessoas/RH (32,2%), Análise e Desenvolvimento de Sistemas (28%), Logística e Gastronomia (26,3% cada), Nutrição (25,2%), Biologia (24,5%) e Estética e Cosmética (23,3%). Esses recortes consideraram apenas cursos com mais de 20 respostas.
Modalidade, experiência e barreiras
A modalidade de ensino também influenciou a inserção profissional: entre os egressos com trabalho remunerado, 81,3% dos que cursaram presencial atuam na própria área, contra 75% dos semipresenciais e 58,4% dos que fizeram EAD. Consequentemente, 41,6% dos formados em EAD com atividade remunerada trabalham em área distinta da formação.
A principal dificuldade apontada para conseguir emprego foi a falta de experiência na área (42,8%), seguida por salários baixos (29,6%) e falta de vagas na área de formação (26,2%). Outros entraves citados incluem adaptação à rotina profissional (16%), dificuldades de networking (15,7%) e falta de vagas em qualquer área (9,3%). Durante a graduação, 60,6% já trabalhavam, 18,1% fizeram estágio e 21,3% não trabalhavam.
Educação continuada, pós‑graduação e diferença por gênero
O nível de escolaridade aparece associado a rendimentos mais elevados: renda média de R$ 4.630 para quem tem apenas graduação, R$ 6.684 para pós‑graduação lato sensu (especialização/MBA) e R$ 9.262 para stricto sensu (mestrado, doutorado, pós‑doutorado). Após a graduação, 50,6% fizeram cursos on‑line, 49,6% cursos livres, 42,1% certificações profissionais e 36,6% especialização; apenas 15,4% não realizaram formação adicional.
A pesquisa também verificou diferença salarial por gênero: média de R$ 4.913 para mulheres e R$ 6.992 para homens, o que representa média masculina 42,3% superior à feminina. Entre as mulheres, 70% recebem até R$ 5 mil, contra 46,9% dos homens; na faixa acima de R$ 15 mil estão 4,8% das mulheres e 12,4% dos homens. A satisfação com a trajetória profissional foi declarada por 65,8% das mulheres e 74,3% dos homens.
Tecnologia, formação e demandas do mercado
Sobre tecnologia, 49,4% dos entrevistados afirmam que a inteligência artificial aumentou sua produtividade ou mudou significativamente suas atividades (sendo 29,9% que dizem ter aumentado a produtividade e 19,5% que apontam mudança significativa). Ainda assim, apenas 27,8% consideram que a graduação os preparou plena ou parcialmente para usar ferramentas digitais e de IA (7,1% plenamente, 20,7% parcialmente); 26,5% relatam pouca preparação e 45,7% nenhuma.
Nas sugestões sobre como as instituições poderiam ajudar na busca por emprego, os egressos priorizaram maior conexão com o mercado: mais parcerias com empresas, programas de primeiro emprego, ampliação de estágios (especialmente remunerados), divulgação de vagas, orientação de carreira, preparação para currículos e entrevistas, atividades práticas e atualização curricular frente às mudanças tecnológicas, incluindo uso prático de IA. Também foi defendido acompanhamento após a formatura e preparo para empreendedorismo e trabalho autônomo.
O levantamento ressalta que não tem pretensões acadêmicas ou científicas e tem como objetivos acompanhar a inserção profissional, renda, satisfação com a carreira, desenvolvimento de competências e os impactos da formação superior.
Com informações de G1




