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domingo, novembro 1, 2026

Do campo à geladeira: as causas do desperdício de alimentos no Brasil enquanto milhões passam fome

O Brasil convive com elevado desperdício de alimentos em todas as etapas da cadeia produtiva ao mesmo tempo em que milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 7 milhões de brasileiros passam fome, e 18,9 milhões de famílias vivenciam algum grau de insegurança alimentar.

Escala do problema

Em nível global, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas por ano. O impacto econômico também é expressivo: dados do Banco Mundial de 2020 apontam que US$ 1 trilhão em alimentos são perdidos anualmente. Do ponto de vista ambiental, alimentos em decomposição liberam gases de efeito estufa, como o metano, e produzem chorume que pode contaminar o lençol freático.

Perdas no campo

Gustavo Porpino, pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios que atua em projetos da ONU, afirma que não há estatísticas oficiais consolidadas sobre perdas nas lavouras, mas enumera fatores recorrentes. Entre eles estão a falta de acesso dos produtores a mercados, o que é crítico para culturas muito perecíveis como alface, morango e banana; as alterações climáticas, que provocam secas, calor extremo e chuvas fora de época; pragas e doenças sem manejo adequado; e a carência de tecnologia que aumente a vida útil e a eficiência da colheita.

Além disso, padrões estéticos do mercado rejeitam frutas e hortaliças fora do formato ou sem aparência perfeita, e picos de produção podem deixar volumes sem compradores, tornando a colheita economicamente inviável. Problemas logísticos, como transporte sem refrigeração e embalagens inadequadas, também contribuem para as perdas.

Varejo e modelos comerciais

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) calcula que supermercados e restaurantes respondem por 427 milhões de toneladas de desperdício. Porpino destaca práticas comerciais como a venda em consignação, em que o varejista só paga pelos itens efetivamente vendidos, deslocando o risco para o agricultor e incentivando compras em volume que podem terminar em descarte.

Para reduzir esse desperdício excedente nas prateleiras, há programas que encaminham alimentos próprios para consumo a instituições que fazem triagem e redistribuição. O g1 acompanhou iniciativas de doação em Campinas e São Paulo, como o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA) e o Sesc Mesa Brasil.

Desperdício doméstico

Segundo o PNUMA, a maior parte do desperdício acontece dentro de casa: em 2022, foram 631 milhões de toneladas (dados globais). Fatores que explicam esse descarte incluem chegada de produtos em condições já comprometidas ao consumidor, especialmente para famílias de menor renda que compram em pontos de venda mais baratos, e hábitos culturais. Maria Siqueira, cofundadora e diretora-executiva do Pacto Contra a Fome, aponta dois costumes recorrentes: a preferência por exibir fartura, que reduz o planejamento das compras, e o hábito de manter estoques em casa para proteção contra variações de preço, resultando em alimentos esquecidos e estragados.

Esta reportagem integra o sexto episódio da série “PF: Prato do Futuro”, que apresenta soluções para os desafios da produção de alimentos no Brasil, e traz exemplos de iniciativas como citriculturas com desperdício zero em Santa Maria da Serra e Engenheiro Coelho (SP), além de projetos que transformam alimentos desperdiçados em adubo.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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