Dois terços de Cuba, entre eles a capital Havana, sofreram um apagão generalizado nesta quarta-feira (4) por causa de uma falha na rede elétrica nacional.
A União Nacional Elétrica (UNE) informou que a “desconexão do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN)” ocorreu às 12h41 (Brasília UTC-3). Segundo a nota, a pane teve origem em uma avaria na caldeira da usina Antonio Guiteras, localizada a cerca de 100 km de Havana. Dez das 15 províncias do país foram afetadas pelo desligamento.
O Ministério de Energia e Minas afirmou no X que “todos os protocolos para o restabelecimento do SEN já estão ativados”. Em Havana, semáforos ficaram apagados e moradores enfrentaram a interrupção dos serviços em meio a uma crise energética que já vinha se agravando.
A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, vive cortes de energia frequentes devido ao envelhecimento das instalações e à escassez de combustível. Desde o fim de 2024, o país registrou cinco apagões generalizados. Além dos episódios totais, há também cortes programados prolongados: na capital, desligamentos superiores a 10 horas têm sido comuns, e nas províncias os interrompimentos podem se estender por mais de um dia.
As interrupções se intensificaram após medidas dos Estados Unidos que restringiram o fornecimento energético — atribuídas por Washington a uma “ameaça excepcional” — e ao cerco contra remessas de petróleo de Caracas. Desde 9 de janeiro, nenhum petroleiro chegou a Cuba, o que levou o governo de Miguel Díaz-Canel a implementar economia de combustível, incluindo a suspensão da venda de diesel, racionamento da gasolina e cortes em alguns serviços hospitalares.
Moradores relataram a dificuldade diária gerada pela falta de eletricidade. Beatriz Barrios, 47 anos, que trabalha no setor de turismo, disse que é imprevisível saber quando a energia será restabelecida e descreveu a situação como trabalhosa. O aposentado Alfredo Menéndez, 67 anos, afirmou que vive na incerteza e que a condição já não parece vida para muitos.
Dados coletados e analisados pela AFP mostram que entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro a disponibilidade de energia caiu 20% em relação a 2025, ano em que Cuba já não conseguiu atender metade de suas necessidades. As oito usinas termelétricas do país, a maioria inaugurada nas décadas de 1980 e 1990, têm sofrido avarias constantes ou passam longos períodos em manutenção. Em fevereiro, outra pane deixou toda a região oriental, incluindo Santiago de Cuba, sem eletricidade.
O governo cubano atribui as dificuldades às sanções dos Estados Unidos, que, segundo ele, impedem reparos na rede. Economistas, por outro lado, apontam uma falta crônica de investimentos no setor elétrico.
Com informações de G1




