São Paulo, 9 de março — O dólar comercial abriu em alta nesta segunda-feira, subindo 0,52% por volta das 9h10 (Brasília UTC-3) e sendo negociado a R$ 5,2721. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, tem início de pregão previsto para as 10h.
No exterior, a valorização da moeda brasileira reflete o forte aumento do petróleo provocado por cortes na produção de alguns países do Oriente Médio e pela interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz. Produtores como Kuwait, Irã e Emirados Árabes Unidos reduziram fornecimentos, elevando os preços: o barril ultrapassou US$ 110 e contratos mais líquidos passaram de US$ 100, após negociações que chegaram a aproximar o preço de US$ 120 nas últimas sessões — um movimento considerável frente aos cerca de US$ 70 verificados há duas semanas.
Em relação ao conflito na região, houve relatos de discussão entre autoridades dos Estados Unidos e de Israel sobre uma possível ação de forças especiais no Irã para garantir o controle de estoques de urânio enriquecido. Internamente no Irã, a Assembleia de Especialistas escolheu Mojtaba Khamenei para suceder o aiatolá Ali Khamenei, indicando continuidade da corrente mais rígida no comando do país.
O avanço dos preços do petróleo também foi impulsionado por ataques a campos de produção no sul do Iraque e na região curda, além de reduções na produção anunciadas por Emirados Árabes e Kuwait após ataques iranianos. Por volta das 9h (horário de Brasília), o Brent subia 12,04%, a US$ 103,85 o barril, enquanto o WTI avançava 12,59%, a US$ 102,34. Entre investidores internacionais, há discussões sobre a liberação coordenada de reservas estratégicas por países do G7 para tentar mitigar a escalada dos preços.
No Brasil, os investidores acompanham a divulgação do boletim Focus do Banco Central, que reuniu projeções do mercado financeiro e manteve a previsão de inflação para 2026 em 3,91% e ajustou levemente a estimativa para 2027 para 3,80%. O relatório, com mais de cem instituições consultadas, apontou expectativa para a taxa Selic ao final de 2026 em 12,13% (ante 12% anteriormente) e manteve projeção de 10,50% para 2027. A previsão de crescimento do PIB para 2026 ficou em 1,82%. Para o câmbio, a mediana projetada caiu de R$ 5,42 para R$ 5,41 no fim de 2026, com R$ 5,50 estimados para o encerramento de 2027.
Além disso, no mercado local seguem as repercussões do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após novas informações que apontam possíveis relações com ministros do Supremo Tribunal Federal, tema observado por agentes econômicos.
Na métrica semanal, o dólar acumula alta de 2,97% (mesmo percentual no mês), enquanto no ano registra queda de 3,68%. O Ibovespa tem perdas acumuladas de 4,41% na semana e no mês, mas sobe 12% no ano.
A movimentação global também refletiu tensão: em Wall Street, os principais índices fecharam em queda; na Europa, o STOXX 600 teve queda semanal relevante; na Ásia, índices chineses e de Hong Kong encerraram a semana com desempenho misto.
O noticiário econômico e geopolítico seguirá determinando a volatilidade nos câmbios e nos mercados acionários nas próximas sessões.
Com informações de G1




