HORÁRIO: 9h20 (Brasília UTC-3)
O dólar comercial abriu em alta nesta quinta-feira (18) e, às 9h20 (Brasília UTC-3), operava cotado a R$ 5,1601, com avanço de 1,03%. A máxima registrada no dia chegou a R$ 5,1686. No mesmo horário, o Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, subia 0,39%, alcançando 169.113 pontos.
Entre os fatores que influenciaram o comportamento do câmbio e da bolsa estão a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e a manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed). O Copom anunciou o corte de 14,50% para 14,25% em decisão unânime, informando que o ambiente externo segue incerto e destacando aceleração da atividade econômica e manutenção de um mercado de trabalho aquecido no Brasil.
O Fed, por sua vez, manteve a taxa de juros americana na faixa de 3,50% a 3,75% na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), primeira sob a liderança de Kevin Warsh. O cenário de juros elevados nos EUA tende a atrair recursos para a maior economia do mundo, impactando câmbio e fluxos de investimento emergentes.
Outro elemento relevante foi o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã, assinado na quarta-feira (17) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian. O memorando de entendimento prevê garantias de que o Irã não terá armas nucleares, suspensão de sanções norte-americanas e compensação financeira ao governo iraniano, além de abrir prazo de 60 dias para negociações sobre a questão nuclear. Com a expectativa de normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, o petróleo recuava, com o barril de Brent valendo US$ 77,21 (-2,94%) e o WTI a US$ 73,92 (-3,74%).
Nos desdobramentos do acordo, o governo suíço informou que Estados Unidos, Irã, Paquistão e Catar se reunirão nesta sexta (19) em Bürgenstock para iniciar negociações sobre a implementação do memorando. O texto assinado ainda não representa o acordo final, que deverá ser ratificado por resolução do Conselho de Segurança da ONU após novas negociações.
Indicadores de desempenho mostravam, no acumulado da semana, alta de 0,90% no dólar e queda de 1,73% no Ibovespa. No mês, o dólar avançava 1,29% e acumulava no ano queda de 6,94%; o Ibovespa registrava queda de 3,23% no mês e alta de 4,38% no ano.
Analistas da XP Investimentos avaliaram que o corte de 0,25 ponto feito pelo Copom indica que pode não haver espaço para novas reduções de juros ainda neste ano, mas que a autoridade monetária deixou aberta a possibilidade de novos ajustes. Em relatório, a XP apontou cenário-base com novo ajuste de 0,25 ponto em agosto, o que levaria a Selic a 14,00%.
O analista Vinicius Flores, da gestora Stratton Capital, destacou como relevante a decisão do presidente do Fed, Kevin Warsh, de não divulgar estimativa de juros no chamado “gráfico de pontos” (“dot plot”), indicando uma postura do banco central americano orientada para a cautela no enfrentamento da inflação.
Os mercados internacionais reagiam de forma mista: futuros de Wall Street operavam em alta, enquanto na Europa a maioria dos índices registrava queda e na Ásia os resultados foram variados entre Tóquio, Xangai e Hong Kong.
As movimentações combinadas de política monetária e cena geopolítica seguem no radar dos investidores, influenciando câmbio, preços de ativos e movimento de capitais no curto prazo.
Com informações de G1




