Secretário defende calibração para distinguir tratamento médico de abuso
O governo federal, por meio do secretário nacional de Trânsito, Adrualdo de Lima Catão, informou que o equipamento conhecido como “drogômetro” terá de ser calibrado para diferenciar pacientes que tomam medicamentos prescritos do uso indevido em festas. A afirmação ocorre após mudança nas regras de fiscalização da Lei Seca pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em agosto de 2026.
Catão apontou que a lista de substâncias detectáveis inclui compostos usados em hospitais e vendidos em farmácias, citando o Venvanse — medicamento para tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) — como exemplo de fármaco que, quando tomado conforme prescrição, não proíbe a pessoa de dirigir. Segundo o secretário, a legislação não pretende punir a presença de vestígios; será necessário estabelecer um parâmetro mínimo para caracterizar consumo relevante.
O objetivo, explicou Catão, é evitar que o aparelho apenas aponte traços residuais da substância no organismo. Ele acrescentou que o equipamento deve identificar situações de uso recreativo — por exemplo, quando alguém usa Venvanse fora da indicação médica para ficar “doidão” em uma balada — e não pacientes em tratamento regular.
Substâncias detectadas e presença em medicamentos
O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) informou que o teste de saliva já capaz de realizar a triagem identifica preliminarmente 12 substâncias: anfetamina; cocaína; MDMA (ecstasy); 6-MAM (derivado da heroína); LSD; Δ9-THC (cannabis); fentanil; cetamina; K2 (canabinoides sintéticos); morfina; metanfetamina; e MDPV.
Dos 12 compostos, cinco aparecem direta ou indiretamente em medicamentos comercializados: morfina (presente em fármacos como Dimorf), fentanil (usado em adesivos para dor crônica), cetamina (e sua forma escetamina, empregada em dores e depressão), Δ9-THC (em medicamentos à base de canabinoides, como Mevatyl) e anfetamina (quando princípios ativos se metabolizam, como no caso do Venvanse).
Especialistas ouvidos pelo veículo reiteraram que tratamento médico regular, por si só, não impede a pessoa de conduzir. A farmacêutica Laura Marise recomendou atenção à bula do medicamento, e o infectologista pediátrico Renato Kfouri destacou que medicamentos com essas substâncias são vendidos com receituário especial e exigem alertas sobre efeitos colaterais como sonolência ou alteração de humor.
Profissionais também lembraram que procedimentos hospitalares preveem intervalos para eliminação das substâncias antes da alta, reduzindo a chance de detecção, salvo em casos de uso indevido ou de liberação inadequada após sedação.
Com informações de G1




