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domingo, outubro 18, 2026

Embaixador do Irã diz que promessa de negociação com EUA virou “piada” e população pressiona por resposta

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, afirmou nesta segunda-feira (30) que a população iraniana tem ido às ruas e exige que o governo não aceite as promessas de negociação apresentadas pelos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, ele disse que o presidente norte-americano Donald Trump “negocia consigo mesmo” e que a ideia de um acordo entre os dois países se tornou “piada mundial”.

Ghadiri relatou que, em junho de 2025, negociações com os EUA estavam em andamento quando o Irã sofreu um ataque que desencadeou uma guerra de 12 dias. Segundo ele, episódio semelhante ocorreu durante outra rodada de conversas mediadas por Omã, quando o país foi atacado dois dias antes do que seriam as discussões finais.

O embaixador afirmou que esses acontecimentos revelam um padrão em que as partes voltam repetidamente ao ciclo de guerra, cessar-fogo e negociação, lógica que, na visão dele, não pode ser aceita por um Estado independente. Diante das agressões, disse ainda, o Irã decidiu adotar respostas que impeçam a repetição das ações hostis.

Sobre a liderança iraniana, a matéria relata que, após a morte do líder supremo Ali Khamenei pelos EUA em fevereiro, seu filho Seyyed Mojtaba Khamenei teria assumido o comando da estrutura de poder do país, que inclui Executivo, Parlamento, Judiciário e o Conselho dos Guardiões, composto por seis indicados pelo próprio Aiatolá Khamenei e seis indicados pelo Parlamento.

Questionado sobre grupos como Hezbollah e Houthis, o embaixador contestou que sejam “proxies” do Irã, termo usado para designar grupos que atuam em nome de um Estado. Para ele, essas forças atuam de forma independente em defesa de seus interesses nacionais e citou casos históricos, como a formação do Hezbollah após a invasão israelense ao Líbano na década de 1980 e a resistência iraquiana após a invasão dos EUA em 2003.

Sobre os ataques a Israel, Ghadiri afirmou que, com base em informações iranianas, Tel Aviv sofreu danos significativos e que as ações iranianas são deliberadas e proporcionais aos princípios religiosos e de caráter citados pelo diplomata. Ele também criticou ataques a universidades e cientistas, mencionando a antiga Universidade Jodhichapur como exemplo da longa tradição acadêmica do Irã.

Internamente, disse que, após 31 dias de guerra, o povo permanece nas ruas, mesmo sob chuva e neve, defendendo a soberania nacional. Ghadiri lembrou ainda que, nos 47 anos desde a Revolução Islâmica, o Irã sempre enfrentou sanções e pressões externas.

Ao comentar a cobertura brasileira, o embaixador agradeceu a maioria dos veículos que, segundo ele, mostram o “lado verdadeiro” do conflito, mas criticou editoriais como o publicado pelo jornal Estado de S. Paulo, que chamou de não profissional e potencialmente incentivador de ataques contra civis.

Por fim, reiterou que grupos em países como Líbano, Iraque e Palestina lutam por seus próprios interesses e citou que, nos últimos dois ou três anos, mais de 70 mil pessoas teriam sido mortas pelo “regime sionista”, conforme a declaração do diplomata.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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