22.6 C
Uberlândia
quinta-feira, outubro 29, 2026

Entregas de fertilizantes podem cair 11% em 2026, diz projeção; recuperação é esperada em 2027

Projeção aponta queda em 2026 e recuperação parcial em 2027

A Agrinvest Commodities apresentou, durante o 20º Simpósio Sindiadubos NPK 2026, realizado em 22 de outubro em Curitiba (PR), a estimativa de que as entregas de fertilizantes no mercado brasileiro devem totalizar 43,6 milhões de toneladas em 2026. Esse volume representaria uma redução de cerca de 11% em relação ao recorde de 49,1 milhões de toneladas registrado em 2025.

Para 2027, a projeção apresentada no evento é de 47,5 milhões de toneladas, o que equivaleria a uma recuperação próxima de 9% sobre o patamar estimado para 2026, mas ainda aquém do resultado observado em 2025.

O simpósio reuniu aproximadamente 1,2 mil participantes de mais de 350 empresas nacionais e internacionais, segundo a organização do evento.

Fatores que pressionam a demanda

Aluisio Schwartz Teixeira, presidente do Sindicato das Indústrias de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), afirmou que a principal dificuldade para o consumo foi a falta de espaço orçamentário dos produtores para compra de fertilizantes, e estimou queda entre 10% e 15% nas entregas em 2026. Apesar disso, Teixeira declarou que o abastecimento foi mantido e demonstrou confiança na continuidade da oferta.

O engenheiro agrônomo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, destacou que a previsão de 43,6 milhões de toneladas para 2026 representa uma redução de cerca de 5,5 milhões de toneladas em relação a 2025. Souza ressaltou que as estimativas são revisadas mensalmente e que a intensidade da queda ainda pode variar.

Redução no uso de nutrientes e sinais por cultura

A análise apresentada indica que o custo total de produção e a perda de poder aquisitivo reduziram o ritmo de aquisições e o uso de nutrientes. A aplicação média de P₂O₅, componente ligado ao fósforo, recuou de 72,6 quilos em 2021 para 45,2 quilos neste ano, o menor nível da série histórica considerada. Entre janeiro e setembro, houve também quedas nos indicadores de nitrogênio, ureia e sulfato de amônia, de 21%, 20% e 18%, respectivamente.

Essa diminuição na aplicação de nutrientes elevou a preocupação quanto ao equilíbrio entre a contenção de despesas e a manutenção do suporte nutricional das lavouras nas próximas safras.

Perspectivas para 2027 e demandas do setor

A projeção de recuperação em 2027 é apoiada pela expansão do milho destinado à produção de etanol, pelo crescimento de culturas alternativas como o sorgo e pela continuidade do ciclo produtivo da soja, fatores que devem ampliar a demanda por insumos e contribuir para a estimativa de 47,5 milhões de toneladas entregues.

A recuperação, porém, depende de melhores condições de compra para os produtores e de maior estabilidade nos custos. Entre as prioridades apontadas pelo setor estão a renegociação de dívidas rurais, a redução das taxas de juros, a revisão da tabela de frete mínimo, maior clareza na regulamentação da reforma tributária e a ampliação do acesso a um seguro agrícola compatível com a capacidade de pagamento dos produtores.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também