Especialistas criticam termo e apontam compensações econômicas
Com a chegada de mais um Dia Internacional da Pessoa Idosa, pesquisadores e comentaristas propõem abandonar a expressão “tsunami prateado”, argumentando que ela transmite uma imagem alarmista e fatalista sobre o envelhecimento populacional. Segundo esses especialistas, classificar o crescimento da população idosa como uma onda devastadora é inadequado diante de evidências recentes.
O mundo enfrentou quedas significativas nas taxas de natalidade: a fertilidade atingiu o nível de reposição ou ficou abaixo dele em quase todos os países industrializados e em grande parte do Leste e Sudeste Asiático. Várias nações em desenvolvimento também seguem trajetória semelhante. Esse fenômeno levou muitos acadêmicos e formuladores de políticas a preverem desaceleração da produtividade e do crescimento econômico devido à combinação de redução populacional e envelhecimento da força de trabalho.
No entanto, estudos do MIT e da London Business School que cobrem sete décadas de transformação demográfica apontam outra realidade: a tecnologia e os ganhos de produtividade têm compensado os efeitos adversos esperados do envelhecimento e da menor proporção de trabalhadores jovens. As pesquisas indicam que, em diversos países, a queda na força de trabalho foi acompanhada por aumento do PIB por adulto em idade ativa e, nos Estados Unidos, até por elevação salarial, sem impacto negativo sobre o PIB agregado ou sobre os rendimentos.
Em termos agregados, regiões com populações mais velhas tendem a registrar maior crescimento da renda por pessoa, o que neutraliza o efeito da redução relativa de trabalhadores. O mecanismo identificado pelos estudiosos é uma resposta endógena da tecnologia à escassez de mão de obra: a adoção de tecnologias que poupariam trabalho leva a ganhos de produtividade e, por conseguinte, a aumentos no PIB.
As conclusões dos estudos têm implicações para o debate público: o pessimismo alarmista sobre as consequências da queda nas taxas de natalidade precisa ser reavaliado. Ainda assim, os autores destacam a necessidade de reformas institucionais e de políticas públicas bem planejadas para enfrentar a nova realidade de vidas mais longas. Entre as medidas propostas estão ações de prevenção em saúde, investimentos em aprendizado contínuo para evitar a exclusão precoce de trabalhadores e a criação de espaços que favoreçam conexão social e intergeracionalidade.
O artigo também traz, em imagem anexa, referência editorial a “Age without limits, Elliot Manches”, associada ao tema da mão de obra sênior nessa nova era.
Com informações de G1




