O g1 divulgou em 23 de setembro de 2026 uma análise do desempenho dos estados e do Distrito Federal no Pisa 2025, elaborada pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional). O estudo utilizou o índice da OCDE que combina escolaridade dos pais, situação ocupacional das famílias e acesso a recursos e bens em casa para estimar as notas previstas em Matemática, Leitura e Ciências, e comparou essas projeções com os resultados observados.
Comentários das secretarias estaduais
Ceará
Matemática: 363,3 (10,5 pontos acima do esperado). Leitura: 394,5 (49,7 pontos acima do esperado). Ciências: 393,5 (26,2 pontos acima do esperado). A Secretaria da Educação do Ceará atribui o desempenho a um conjunto de políticas públicas e ações pedagógicas e de gestão voltadas à aprendizagem, citando a expansão do ensino em tempo integral (90% das escolas estaduais oferecem essa modalidade) e o programa Foco na Aprendizagem, com avaliações diagnósticas e formativas, formação continuada e uso de material didático estruturado.
Goiás
Matemática: 380,3 (12,4 pontos abaixo do esperado). Leitura: 410,5 (26,6 pontos acima do esperado). Ciências: 412,5 (5,9 pontos acima do esperado). A Secretaria de Educação de Goiás relaciona os resultados de Leitura e Ciências a programas de incentivo à leitura, letramento científico e recomposição das aprendizagens. Sobre Matemática, ressalta o papel das condições socioeconômicas e as características do Pisa, que exige raciocínio abstrato e resolução de problemas, e diz que pretende ampliar o uso conjunto de avaliações externas e diagnósticas para orientar materiais e formação de professores.
Minas Gerais
Matemática: 395,7 (9,2 pontos acima do esperado). Leitura: 430,7 (52,9 pontos acima do esperado). Ciências: 430,1 (29,6 pontos acima do esperado). A Secretaria de Estado de Educação atribui os resultados a políticas como o Programa de Recomposição e Avanço das Aprendizagens (PRA), avaliações educacionais, formação de profissionais e ampliação do ensino em tempo integral, e afirma que analisará o Pisa 2025 junto a outros indicadores para identificar avanços e desafios.
Pará
Matemática: 356,2 (13,8 pontos abaixo do esperado). Leitura: 386,8 (25,2 pontos acima do esperado). Ciências: 384,8 (0,6 ponto acima do esperado). A Secretaria de Educação do Pará alerta para o caráter amostral do Pisa, informando que participaram 1.088 estudantes de 22 escolas estaduais em 2025, e destaca o Saeb, avaliação censitária, como referência para acompanhar a aprendizagem. A rede cita crescimento nas médias do Saeb nas últimas edições e menciona ações de recomposição, materiais pedagógicos, formação e reforço escolar.
Pernambuco
Matemática: 352,2 (3,1 pontos abaixo do esperado). Leitura: 380,6 (33,4 pontos acima do esperado). Ciências: 379,8 (10,1 pontos acima do esperado). A Secretaria de Educação de Pernambuco valoriza os resultados em Leitura e Ciências e relaciona o desempenho a iniciativas voltadas ao ensino médio integral, pensamento crítico e interpretação. Para Matemática, reconhece desafio e cita participação no Compromisso Nacional Toda Matemática, avaliações diagnósticas, formação docente e acompanhamento de estudantes com maiores defasagens. A pasta ressalta que o Pisa é amostral e deve ser analisado junto a avaliações censitárias; o Iede levou em conta as margens de erro.
Paraná
Matemática: 423,1 (15 pontos acima do esperado). Leitura: 458 (59 pontos acima do esperado). Ciências: 461,6 (39,8 pontos acima do esperado). O secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda, afirma que o resultado confirma desempenho mostrado em outras avaliações e atribui o avanço ao trabalho de profissionais das escolas, núcleos regionais e da Secretaria. A pasta diz ter preparado alunos para o modelo interdisciplinar exigido pelo Pisa, com planejamento e metodologias alinhadas à avaliação.
Rio Grande do Norte
Matemática: 366,5 (dentro do esperado). Leitura: 400,3 (42,1 pontos acima do esperado). Ciências: 397,9 (17,1 pontos acima do esperado). A Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte considera os resultados parte de uma trajetória de avanço e relaciona o desempenho a medidas como recomposição das aprendizagens, acompanhamento pedagógico, ampliação do ensino em tempo integral e profissional, formação de professores, fortalecimento de avaliações, busca ativa escolar e investimentos em infraestrutura e conectividade.
Roraima
Matemática: 338,7 (50,2 pontos abaixo do esperado). Leitura: 363,8 (16,4 pontos abaixo do esperado). Ciências: 362,5 (40,4 pontos abaixo do esperado). A Secretaria de Educação e Desporto de Roraima reconhece a importância do Pisa para identificar desafios, mas ressalta particularidades da rede — extensão territorial e atendimento a comunidades indígenas, ribeirinhas e de difícil acesso — e pede análise conjunta com outros indicadores. Como referência, cita o Ideb 2025: 5,7 nos anos iniciais, 4,2 nos anos finais e 3,7 no ensino médio, sendo este último o melhor resultado da série histórica. A rede informa ações de formação, recomposição, acompanhamento, infraestrutura e conectividade.
São Paulo
Matemática: 403,8 (2,3 pontos acima do esperado). Leitura: 433,7 (41,2 pontos acima do esperado). Ciências: 442,6 (27,3 pontos acima do esperado). O secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, considera os resultados positivos e atribui parte da evolução a mudanças curriculares que reduziram o número de temas e passaram a trabalhar com maior profundidade, além da ênfase em competências — raciocínio lógico, resolução de problemas e aplicação do conhecimento. A secretaria destaca também uma gestão mais próxima das escolas e aumento da frequência média de 78% para 90%.
Tocantins
Matemática: 340,9 (38,6 pontos abaixo do esperado). Leitura: 362,8 (8,2 pontos abaixo do esperado). Ciências: 366 (27,6 pontos abaixo do esperado). A Secretaria da Educação do Tocantins informa que monitora indicadores como o Saeb e o Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Tocantins (Saeto), citando desempenho de 61% no Saeto, acima da meta federal de 55%, e participação de 95% dos estudantes no Saeb 2025. A pasta ressalta que a aplicação do Pisa não esteve vinculada a uma avaliação institucional do estado, por isso os resultados exigem interpretação considerando a metodologia internacional.
Os estados que não aparecem neste levantamento não haviam respondido ao g1 até a última atualização do texto. O levantamento do Iede e as respostas das secretarias estaduais trazem tanto medidas adotadas como ressalvas sobre a comparabilidade dos resultados, especialmente em função do caráter amostral do Pisa e das diferenças socioeconômicas locais.
Com informações de G1




