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sábado, outubro 31, 2026

Estudo da Embrapa identifica Salmonella em pisciculturas de peixes nativos no Centro-Oeste

Pesquisadores da Embrapa detectaram a presença da bactéria Salmonella spp. em pisciculturas de peixes nativos na região Centro-Oeste do Brasil. O microrganismo foi encontrado em 88% das propriedades avaliadas e em 31,5% das amostras analisadas em Mato Grosso, principal polo produtor dessas espécies no país.

O trabalho foi coordenado pela cientista Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, com participação de especialistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Os resultados apontam para a necessidade de reforço na vigilância sanitária e em medidas de biossegurança nas criações aquícolas.

Metodologia e achados

O levantamento abrangeu pisciculturas instaladas nos biomas Pantanal e Cerrado. Foram examinadas 184 amostras, coletadas de peixes, água dos viveiros, sedimentos, ração e fezes de animais domésticos e silvestres presentes nas áreas de cultivo.

Nas análises foram identificados dez sorotipos diferentes de Salmonella, com predominância de Salmonella saintpaul e Salmonella newport. Também foram observados níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, sem registro de cepas multirresistentes.

As vísceras dos peixes foram a matriz com maiores índices de detecção, e a contaminação apresentou maior incidência no período seco, o que indica influência de fatores ambientais e de manejo na ocorrência da bactéria.

Estudo associado e implicações para a cadeia

Em estudo associado, 55 cepas isoladas de tambatinga (híbrido do tambaqui) foram avaliadas e não apresentaram sorotipos clássicos relacionados a surtos humanos graves. Todas as amostras desse conjunto mostraram-se sensíveis aos antibióticos testados.

Os pesquisadores ressaltam que a pesquisa focou na fase de produção, não abrangendo toda a cadeia até o consumidor final. Processamento industrial adequado, inspeção sanitária e cozimento correto podem eliminar o risco de contaminação no alimento pronto para consumo.

A contaminação nas pisciculturas pode ocorrer pela presença de aves, animais silvestres como jacarés e capivaras, além de animais de criação e domésticos, que podem contaminar o solo e a água dos viveiros. Especialistas indicam que alterações no processamento, como a retirada de vísceras e guelras antes da lavagem hiperclorada — e não depois, prática comum em muitos frigoríficos — podem reduzir riscos.

Medidas práticas e próximos passos

Os autores destacam medidas básicas para reduzir risco de intoxicação alimentar, incluindo manter o alimento refrigerado até 4 °C ou congelado, evitar deixar fora da geladeira por longos períodos, separar peixe cru de alimentos prontos, usar utensílios distintos para alimentos crus e cozidos, lavar mãos e superfícies após o manuseio, cozinhar adequadamente (acima de 70 °C) e priorizar produtos inspecionados.

Os cientistas defendem a implementação de programas integrados de vigilância baseados no conceito de Saúde Única, com ampliação do monitoramento para outras regiões produtoras e desenvolvimento de protocolos de boas práticas aplicáveis diretamente às pisciculturas. O objetivo é transformar os resultados em orientações práticas que aumentem a segurança dos alimentos e a competitividade da aquicultura brasileira.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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