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quarta-feira, outubro 21, 2026

EUA anunciam bloqueio naval ao Estreito de Ormuz a partir de segunda-feira; petróleo volta a subir

As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que iniciarão um bloqueio aos portos iranianos a partir das 11h desta segunda-feira (13), pelo horário de Brasília, medida que provocou reação nervosa nos mercados e fez o preço do petróleo subir com força. O barril do tipo Brent ultrapassou os US$ 100, com alta superior a 7% na sessão, em meio a temores sobre possíveis impactos no fornecimento global de energia.

A decisão foi anunciada após a falha nas negociações de paz entre EUA e Irã no fim de semana. Nas redes sociais, o presidente Donald Trump afirmou domingo que ordenou à Marinha dos EUA que “procure e intercepte toda embarcação em águas internacionais que tenha pago um pedágio ao Irã” para transitar pelo Estreito de Ormuz. Trump também disse que “ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura no alto-mar” e declarou que “qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será explodido até o inferno”.

Posteriormente, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) esclareceu que o bloqueio se aplica apenas a navios que entram ou saem de portos iranianos e que não alcançará embarcações que estejam a caminho “de e para portos não iranianos”.

Desde o início da guerra, o Irã vem mantendo um bloqueio seletivo do estreito, permitindo a passagem apenas de navios de países considerados amistosos ou de embarcações que, segundo estimativas, tenham pago um pedágio da ordem de US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões). O fechamento do estreito foi anunciado pelo governo iraniano em 2 de março, após os primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos.

Dados do Joint Maritime Information Centre apontam que, antes do conflito, cerca de 138 navios cruzavam o estreito por dia. Desde que o cessar-fogo foi anunciado na noite de terça-feira, 7 de abril, pelo menos 60 embarcações passaram pela rota — uma média de 10 por dia —, número bem inferior ao fluxo pré-guerra. Em outro levantamento citado na cobertura, esse fluxo caiu para cinco ou seis navios diários, redução estimada em torno de 95% em relação ao período anterior.

As Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) advertiram que quaisquer embarcações militares que se aproximem do Estreito de Ormuz serão consideradas em violação do cessar-fogo e serão “tratadas severamente”. Em comunicado reproduzido por veículos iranianos, as forças afirmaram que o estreito permanece “aberto para a passagem inocente [trânsito livre] de embarcações não militares, sob controle e gestão inteligentes, em conformidade com regulamentos específicos” do Irã.

O especialista em transporte marítimo Lars Jensen, diretor-executivo da Vespucci Maritime, avaliou que, se os EUA efetivamente aplicarem o bloqueio anunciado, o impacto efetivo deve atingir apenas um número reduzido de embarcações e, no contexto geral, “não muda realmente nada”. Jensen acrescentou que poucos navios pagam o suposto pedágio e que essas empresas já estariam sujeitas a sanções americanas.

Além das medidas navais, os desdobramentos diplomáticos seguiram tensos. Trump afirmou que negociações conduzidas por seu vice, J.D. Vance, em Islamabad avançaram na maioria dos pontos, mas não no quesito nuclear; segundo o presidente, “quase 20 horas” de conversas não lograram convencer o Irã a abrir mão de ambições nucleares. Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, que chefiou a delegação de Teerã, declarou que cabe aos EUA decidir se conseguem conquistar a confiança do Irã e afirmou que a delegação iraniana apresentou iniciativas voltadas para o futuro, agradecendo ao Paquistão pela mediação.

Qualquer instabilidade no Estreito de Ormuz tende a ter efeitos imediatos sobre preços, cadeias de abastecimento e economia global, dada a importância da rota para o transporte de petróleo, gás natural liquefeito e outros insumos essenciais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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