Governo dos EUA pede saída de representante da PF por tentativa de contornar cooperação internacional
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou, na segunda-feira (20 de abril de 2026), ter solicitado a saída do país de um delegado da Polícia Federal (PF). O comunicado aponta que o servidor tentou driblar procedimentos formais de cooperação jurídica internacional, sem citar nomes.
Fontes e sinais apontam para Marcelo Ivo de Carvalho como o provável alvo. Carvalho atuava como oficial de ligação da PF junto às autoridades americanas, segundo informações divulgadas em redes sociais e reportagens.
Em nota pública, a instituição norte-americana afirmou que estrangeiros não podem usar o sistema de imigração dos Estados Unidos para escapar de pedidos formais de extradição ou prolongar perseguições políticas dentro do território americano. A mensagem foi replicada pela Embaixada dos EUA no Brasil em publicação publicada em 20 de abril de 2026.
A Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) ainda não prestaram esclarecimentos detalhados sobre o episódio.
Nos bastidores, a ação foi relacionada à participação do delegado em investigações que envolveram o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Essa associação, contudo, não foi confirmada oficialmente por autoridades brasileiras ou americanas.
Antes da repercussão pública, o governo brasileiro já havia oficializado a substituição do posto: a delegada Tatiana Alves Torres foi designada para exercer a função de oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), conforme portaria publicada no Diário Oficial da União.
Tatiana Alves Torres é delegada de carreira desde 2002. Ela já chefiou a Polícia Federal em Minas Gerais e, mais recentemente, ocupava cargo na área de gestão de pessoas da corporação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o caso na terça-feira (21 de abril de 2026), durante agenda na Alemanha, afirmando que o Brasil poderá adotar medidas recíprocas caso se comprove abuso por parte dos Estados Unidos. “Se houve abuso contra o policial brasileiro, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil”, declarou o presidente.
Até o momento não foram divulgados detalhes sobre quais atitudes teriam motivado o pedido de saída do delegado. O caso se desenrola em meio à cooperação contínua entre Brasil e Estados Unidos em investigações internacionais, com foco especial em imigração e segurança.
Com informações de Paranaibamais




