Ex-funcionário diz que aceleração aumenta riscos
David Robinson, que deixou recentemente a OpenAI após três anos e meio no cargo de segurança, afirmou em artigo publicado em 3 de outubro de 2026 na revista The Atlantic que a forma como empresas de inteligência artificial desenvolvem e liberam novos modelos eleva o risco de falhas. Segundo ele, a cultura de “lançar rápido e consertar depois” impede a adoção de medidas de proteção adequadas.
Robinson afirmou que companhias do setor, entre elas a OpenAI, deveriam ampliar a participação de especialistas em segurança e priorizar pesquisas antes de avançar para versões mais potentes de seus sistemas. “O tempo de tentativa e erro acabou”, escreveu ele, defendendo que sistemas de IA avançados exijam protocolos de segurança semelhantes aos de setores como energia nuclear e aviação.
O ex-funcionário também criticou a chamada “implantação iterativa”, prática em que modelos são disponibilizados ao público e ajustes de segurança são feitos à medida que problemas surgem. As observações de Robinson ocorrem em meio a um debate mais amplo sobre a rapidez com que empresas como OpenAI e Anthropic lançam tecnologias e sobre falhas já registradas em controles de segurança ou comportamentos imprevistos de sistemas experimentais.
Durante sua passagem pela OpenAI, Robinson participou da elaboração da estrutura de gestão de riscos da empresa e supervisionou relatórios de segurança relacionados a 12 lançamentos de modelos avançados. Ele disse que a companhia, ao “correr de um lançamento para o outro”, não tem conseguido manter o nível de cuidado que considera necessário.
Em resposta às críticas, um porta-voz da OpenAI afirmou que a empresa procura evitar que modelos evoluam além do que pode administrar com segurança. “Pausamos o treinamento ou suspendemos os modelos quando precisamos diminuir o ritmo”, disse o representante.
Robinson também alertou que as capacidades das IAs estão progredindo mais rápido do que o avanço no conhecimento sobre alinhamento — área dedicada a garantir que sistemas de IA atuem conforme objetivos e valores humanos.
Outras vozes críticas no setor
As críticas não são inéditas. No mês anterior, o britânico Jacob Coxon, de 27 anos, que trabalhou nos últimos três anos com pré-treinamento em OpenAI e depois na Anthropic, deixou a indústria e acusou as duas empresas de “brincar com as nossas vidas” em publicações nas redes sociais, afirmando que nenhuma delas estaria agindo de forma responsável diante do risco de uma superinteligência autoaperfeiçoável.
O debate sobre velocidade de desenvolvimento, segurança e governança de sistemas de IA segue em destaque entre pesquisadores, empresas e autoridades, enquanto incidentes e relatos internos continuam a alimentar questionamentos públicos.
Agências Reuters e France Presse contribuíram com informações para as reportagens sobre o tema.
Com informações de G1




