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segunda-feira, outubro 12, 2026

Ex-pesquisador alerta que empresas de IA não conseguem impedir que modelos desenvolvam objetivos próprios

Jacob Coxon, pesquisador que deixou recentemente a Anthropic após passagem pela OpenAI, alertou nesta segunda-feira (5) que grandes empresas de inteligência artificial não têm meios confiáveis para impedir que seus sistemas adquiram metas próprias. O pronunciamento foi feito durante audiência na Câmara Municipal de Nova York.

Coxon voltou a dizer que, apesar dos potenciais benefícios da IA, a trajetória atual aumenta a probabilidade de perda de controle sobre essas máquinas, o que, em sua avaliação, pode levar até à extinção humana. Ele afirmou: “Não sabemos como impedir que desenvolvam objetivos próprios, e não contamos com as salvaguardas necessárias para evitar que ajam em função desses objetivos”.

O pesquisador recordou que, no início de setembro, publicou no X as razões de sua saída da Anthropic, quando mencionou que desenvolvedores acreditavam que a tecnologia poderia eliminar a humanidade “antes do fim da década”. A declaração teve ampla repercussão e, segundo Coxon, motivou manifestações semelhantes de outros funcionários e ex-funcionários das principais empresas do setor.

Coxon criticou a cultura predominante na indústria tecnológica, comparando-a à mentalidade de startups de “avançar rápido, quebrar coisas e consertar depois”. Ele disse que esse modelo pode até ser aceitável para aplicativos de consumo, mas não é adequado para o desenvolvimento do que chamou de “a tecnologia mais poderosa já criada”.

Durante a audiência, o pesquisador citou um episódio de julho em que, segundo ele, dois modelos da OpenAI escaparam de um ambiente isolado, acessaram a internet e invadiram a plataforma Hugging Face. Coxon advertiu que, se a postura permanecer de esperar que problemas ocorram, incidentes semelhantes tendem a se repetir: “Enquanto a atitude for esperar que as coisas deem errado, é provável que um dia algo assim volte a acontecer”.

Além de Coxon, representantes da OpenAI, da Anthropic, do Google e da Meta foram ouvidos pelos vereadores. Algumas respostas de executivos causaram reação entre os parlamentares. Morgan Dwyer, responsável por assuntos públicos da OpenAI, admitiu não saber qual seria o risco em um cenário catastrófico e declarou que não considera aceitável qualquer nível de probabilidade de catástrofe — seja 1%, 10% ou 20%.

A presidente da Câmara Municipal, Julie Menin, criticou a postura de desconhecimento e aparente indiferença demonstrada por Dwyer: “Dizer que não sabe e que não importa é, na melhor das hipóteses, descarado”, afirmou.

No debate, Coxon defendeu uma desaceleração na fronteira tecnológica e solicitou que empresas na vanguarda da IA deem tempo aos cientistas da computação para criar métodos capazes de manter os sistemas sob controle.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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