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domingo, outubro 18, 2026

Frutas e legumes que seriam descartados são transformados em “couro vegetal” comestível no Espírito Santo

Um projeto do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), no campus de Venda Nova do Imigrante, no Sul do estado, ensina agricultores familiares a transformar frutas e legumes que perderam valor comercial em lâminas comestíveis semelhantes a um “couro vegetal”. A técnica reduz desperdício e cria novas fontes de renda no campo.

O processo começa com a seleção de frutas e hortaliças que passaram do ponto ideal para venda in natura. Os alimentos são higienizados, batidos até virar purê e espalhados em camadas finas sobre uma superfície para, em seguida, serem desidratados. Após cerca de 12 horas a um dia e meio de secagem, obtém-se uma lâmina maleável pronta para corte e moldagem, que pode ser consumida normalmente, isenta de lactose, glúten e açúcar.

Em testes realizados ao longo de seis meses, a equipe trabalhou com produtos como pitaya, limão siciliano, goiaba, maracujá, tomate e café, e compilou os procedimentos em uma cartilha técnica para facilitar a replicação da técnica.

Durante três meses, dez produtores da agricultura familiar participaram de formação prática no campus do Ifes. Eles receberam conteúdos teóricos, uma apostila com passo a passo e kits contendo desidratadores para aplicar a técnica nas propriedades. A capacitação foi majoritariamente prática, com orientação em laboratório para a produção das lâminas.

O projeto faz parte da iniciativa InovaTech, da incubadora do Ifes, e conta com apoio do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).

Produtores envolvidos relatam mudanças na gestão da produção. Na propriedade de Vanuza Rosa Falqueto, que cultiva palmito, laranja, abacate, café e limão siciliano, parte da produção costumava se perder por falta de escala para venda. Com a técnica, ela transformou principalmente limão siciliano e palmito juçara em lâminas comestíveis. Outra participante, Maria Dalva Garcia Andrerão, planeja aproveitar jabuticabas da propriedade para produzir enroladinhos e flores decorativas para bolos, ampliando a linha de produtos já formada por geleias e compotas.

Para os organizadores, um dos principais objetivos é a sustentabilidade: aproveitar itens que não seriam comercializados in natura para agregar valor por meio do processamento e vender o produto acabado. Após a conclusão do curso, os produtores seguem recebendo acompanhamento técnico e consultoria para definição de preço, embalagem e estratégias de comercialização, etapas em que ainda existem dúvidas a serem resolvidas.

As lâminas comestíveis já foram usadas para criar preparações como medalhões de pêssego, lasanha com lâmina de berinjela e combinações de abóbora com coco. A expectativa é que esses produtos passem a integrar o comércio local, aumentando as oportunidades de renda e diminuindo o desperdício de alimentos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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