Quem: Redes tradicionais de varejo como Casas Bahia e Marabraz no Brasil, a alemã Galeria Kaufhof e a americana Sears.
O que: Fechamentos de lojas, pedidos de recuperação judicial e declarações de falência têm se tornado mais frequentes entre grandes varejistas que dominavam o consumo nas últimas décadas.
Quando: Casos recentes citados incluem o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia e o relatório que, entre agosto de 2024 e agosto de 2025, registrou 2.490 falências do varejo na Alemanha.
Onde: Europa, Estados Unidos e Brasil, com impactos relatados em diversos mercados globais.
Como: Especialistas apontam uma combinação de fatores: transformação digital, juros mais altos, restrição de crédito, mudança no comportamento do consumidor e concorrência de plataformas internacionais.
Por que: O setor enfrenta hoje uma pressão financeira maior do que na onda inicial de digitalização. Empresas que ampliaram operações com base em crédito barato passaram a conviver com custos financeiros mais elevados, estoques caros e consumidores com menor poder de compra, segundo consultores e acadêmicos entrevistados.
Contexto e fatores explicativos
O termo “Retail Apocalypse”, que ganhou força na segunda metade dos anos 2010 com a expansão do comércio eletrônico, já apontava para o desafio de adaptar grandes redes físicas a um novo padrão de consumo. Hoje, segundo especialistas, a transformação digital prossegue e soma-se a uma pressão financeira que testa a sustentabilidade dos negócios.
Na Alemanha, a seguradora de crédito Allianz Trade contabilizou 2.490 falências no varejo entre agosto de 2024 e agosto de 2025. Nos Estados Unidos, a Sears, que foi a maior varejista do país, operava apenas cinco lojas ao fim de 2025, conforme a Forbes. No Brasil, além das Casas Bahia, a rede de móveis Marabraz também solicitou recuperação judicial.
Analistas destacam que o impacto varia por segmento: varejistas de bens duráveis — móveis, eletrodomésticos e eletrônicos — são mais afetados em períodos de juros altos por dependerem do crédito ao consumidor e de grandes estoques, enquanto empresas de produtos de compra frequente tendem a ser mais resilientes.
Modelos de negócio mais enxutos e orientados pela eficiência logística, como dropshipping, showrooms e o conceito phygital, assim como avanços em inteligência artificial para personalizar decisões de compra, desafiam o modelo tradicional baseado em lojas físicas e crediário.
Concorrência internacional e novos gastos dos consumidores
Plataformas internacionais como Shein, Shopee e Temu pressionam margens ao oferecer preços muito baixos e combinação de escala, tecnologia e logística global. Em resposta, países têm debatido taxar encomendas internacionais de baixo valor para equilibrar a concorrência.
Além disso, o crescimento das apostas online tem sido citado como fator que reduz a renda disponível das famílias. Um levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com dados do Banco Central, estimou que as famílias brasileiras destinaram R$ 62,5 bilhões às apostas em 2025.
Nos autos do pedido de recuperação judicial, as Casas Bahia apontaram “patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro” como causas do agravamento de sua situação financeira.
Especialistas afirmam que o varejo físico não tende a desaparecer, mas a se reestruturar — sobrevivendo quem conseguir oferecer comodidade, transparência e preços competitivos num ambiente cada vez mais digitalizado.
Com informações de G1




