IPC argentino registra aceleração e atinge 3,4% em março
A inflação na Argentina avançou 3,4% em março, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) nesta terça-feira (14). O percentual supera os 2,9% registrados em fevereiro e representa o maior avanço mensal em um ano.
No acumulado dos últimos 12 meses até março, o indicador ficou em 32,6%, inferior aos 33,1% apurados no mês anterior.
Segundo o Indec, os setores que registraram as maiores elevações em fevereiro foram educação (12,1%) e transporte (4,1%). Em seguida aparecem habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (3,7%); recreação e cultura (3,6%); restaurantes e hotéis (3,4%); e alimentos e bebidas não alcoólicas (3,4%).
A série histórica do Indec mostra que a inflação apresentou forte melhora no ritmo mensal ao longo de 2024, primeiro ano da gestão do presidente Javier Milei. Em 2025, a taxa mensal permaneceu majoritariamente entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%. A partir de maio de 2025, porém, os números apontaram uma aceleração gradual da inflação, indicando maiores dificuldades do governo para reduzir o índice de forma consistente.
Desde a posse, em dezembro de 2023, o governo implementou um ajuste econômico que incluiu paralisação de obras federais, suspensão de repasses a províncias e retirada de subsídios de tarifas de água, gás, luz e transporte público, medidas que pressionaram preços ao consumidor. A redução da pobreza foi registrada no segundo semestre de 2025, quando o índice caiu para 28,2%, ante 52,9% no primeiro semestre de 2024. Ao mesmo tempo, o governo registrou superávits orçamentários e recuperou parte da confiança de investidores.
No terceiro trimestre de 2025, o governo enfrentou crise política após o vazamento de um áudio em que Karina Milei, secretária‑geral da Presidência e irmã do presidente, é acusada de corrupção; o caso está em investigação. Em setembro, Javier Milei sofreu derrota na eleição da província de Buenos Aires, reação que repercutiu nos mercados: títulos, ações e o peso argentino caíram, e a moeda chegou a ser cotada a 1.423 por dólar. Ao longo de 2025, o peso perdeu quase 40% frente ao dólar, encerrando o período a 1.451,50.
A volatilidade do câmbio passou a ceder após o anúncio de apoio dos Estados Unidos: em 20 de outubro foi formalizado um swap cambial de US$ 20 bilhões, com promessa de outro incentivo do mesmo valor, totalizando US$ 40 bilhões em auxílio. Após a confirmação do apoio financeiro, Milei obteve vitória em 26 de outubro nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado, o que ajudou a conter a disparada do dólar.
No início do governo, em 11 de abril, foi firmado um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja primeira parcela de US$ 12 bilhões foi disponibilizada poucos dias depois. Em seguida, o Banco Central anunciou redução de controles cambiais, encerrando a paridade fixa do peso e adotando o câmbio flutuante, com a intenção de avançar no fim do “cepo”. A deterioração recente dos mercados levou, entretanto, a novas intervenções no câmbio.
Nos meses seguintes foram anunciadas medidas para aumentar a oferta de dólares: em maio de 2025, o governo autorizou o uso de dólares mantidos fora do sistema financeiro sem obrigatoriedade de declarar a origem; em 10 de junho, flexibilizou o uso de pesos e dólares no mercado de títulos públicos e lançou um plano de captação de US$ 2 bilhões por emissões de títulos, além do compromisso de reduzir a emissão monetária pelo Banco Central. Na semana anterior à eleição em Buenos Aires, o governo declarou intervenção no câmbio: em 2 de setembro o secretário de Finanças Pablo Quirno afirmou que o Tesouro Nacional atuaria na compra e venda de dólares para garantir oferta suficiente e evitar desvalorizações abruptas.
O objetivo declarado pelas autoridades é estabilizar a inflação, reforçar reservas comerciais, melhorar o câmbio e atrair investimentos enquanto prosseguem o ajuste fiscal e as reformas econômicas.
Com informações de G1




