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terça-feira, outubro 13, 2026

Investidores estrangeiros impulsionaram a B3 no início de 2026, mas guerra no Oriente Médio traz incerteza

TRANSMISSÃO: Record

Entrada de recursos e recuo do índice

O retorno intenso de capital estrangeiro ajudou a alavancar a bolsa brasileira no começo de 2026, mas a escalada da guerra no Oriente Médio voltou a provocar nervosismo entre investidores. Nos dois primeiros meses do ano, o saldo de recursos vindos do exterior na B3 somou R$ 42,56 bilhões, o terceiro maior volume para o período na última década, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.

Esse fluxo foi determinante para o Ibovespa atingir recorde histórico ao superar, pela primeira vez, os 190 mil pontos. Após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado, no entanto, o índice acumulou queda de 4,41% desde o início do conflito e recuou para os 180 mil pontos.

Por que o estrangeiro voltou à bolsa brasileira?

Especialistas apontam quatro fatores principais para a volta do capital externo:

  • Juros elevados no Brasil: a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, tornando o país atraente para quem busca retornos mais altos;
  • Ações com preços considerados baratos em comparação a empresas de mercados desenvolvidos, o que atrai compras por valuation;
  • Necessidade de diversificação: gestores internacionais alocam recursos entre países e voltaram a enxergar o Brasil como opção quando os preços ficam atraentes;
  • Maior liquidez global e enfraquecimento relativo do dólar em determinados momentos, que costuma direcionar parte dos investimentos para mercados emergentes.

Movimento de janeiro e fevereiro

Em janeiro, o Ibovespa registrou entrada de R$ 26,4 bilhões, o maior valor desde fevereiro de 2022. Em fevereiro entraram R$ 16,9 bilhões, totalizando R$ 42,56 bilhões nos dois primeiros meses, contra R$ 26,87 bilhões no mesmo período de 2025. Apesar de uma desaceleração em fevereiro, o volume é o terceiro maior para os dois primeiros meses do ano na última década. O recorde de ingresso estrangeiro permanece em 2022, com R$ 119,7 bilhões.

O aporte externo foi a principal razão pelas 13 máximas batidas pelo Ibovespa em 2026 — oito em janeiro e cinco em fevereiro — diante de 32 recordes registrados ao longo de 2025.

Perspectivas e riscos

Analistas consultados afirmam que o investimento estrangeiro ainda pode continuar ao longo de 2026, mas a intensidade dos aportes dependerá do cenário internacional. Flávio Conde, analista da Levante Inside Corp, destaca fatores estruturais favoráveis ao Brasil, como a perspectiva de queda gradual dos juros, ações baratas em dólar e o risco elevado em bolsas dos EUA. Segundo ele, se o conflito se intensificar em março o fluxo pode diminuir, mas dificilmente se transformará em saída maciça de capital; e eventuais recuos podem apresentar oportunidades de compra, com potencial do Ibovespa testar os 200 mil pontos no médio prazo.

Por outro lado, Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, alerta que o agravamento das tensões tende a aumentar o movimento global de “flight to quality”, favorecendo ativos de refúgio como dólar e ouro e reduzindo o fôlego do índice no curto prazo. Nesses momentos, é comum que investidores busquem segurança e retirem recursos de mercados mais arriscados, como ações de países emergentes.

O fluxo de recursos e a trajetória do Ibovespa nos próximos meses seguirão, portanto, condicionados à evolução do conflito e ao comportamento de mercados internacionais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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