Quem criou o bitcoin? A pergunta segue sem resposta definitiva 17 anos após a publicação do white paper assinado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto. Em 31 de outubro de 2008, o documento “Bitcoin: Um Sistema de Dinheiro Eletrônico Peer-to-Peer” apresentou os princípios da criptomoeda que deu origem a um mercado avaliado em cerca de US$ 2,4 trilhões e a uma fortuna atribuída ao criador estimada em torno de US$ 70 bilhões.
O mistério e os indícios
Satoshi Nakamoto nunca movimentou as moedas atribuídas a ele e teve a última interação pública registrada em 2010, por meio de um post no fórum BitcoinTalk. Desde então, sua identidade alimentou diversas teorias e uma lista longa de suspeitos, alguns já amplamente desacreditados.
Ao longo dos anos foram apontados nomes como Dorian Nakamoto (sugerido em 2014 pela Newsweek, hipótese negada e desacreditada), o australiano Craig Wright (que alegou ser Satoshi e foi rejeitado pelo Tribunal Superior de Londres em 2024 após comprovação de documentos falsos), além de figuras públicas como Elon Musk (negou envolvimento) e mesmo o bilionário Jeffrey Epstein, condenado por abusos sexuais. Nenhuma dessas alegações resistiu a escrutínio rigoroso.
A nova apuração e Adam Back
Uma investigação do New York Times voltou a colocar em foco o criptógrafo britânico Adam Back, um nome já citado em outras ocasiões. O texto, assinado por John Carreyrou, reúne coincidências e paralelos que, segundo a apuração, tornam a hipótese difícil de ser ignorada, embora não constitua prova final.
Entre os elementos levantados estão: Back é autor do Hashcash, sistema de prova de trabalho citado diretamente no white paper; participou de discussões iniciais sobre criptografia e dinheiro digital; e utilizou construções linguísticas e ideias técnicas semelhantes às atribuídas a Satoshi. Análises mencionadas no texto apontam que a atividade online de Back teria diminuído em momentos que coincidem com fases mais ativas de Satoshi e crescido após o desaparecimento do pseudônimo.
O NYT também destacou que Back, já nos anos 1990, descreveu um sistema de dinheiro eletrônico com características próximas às do Bitcoin — rede descentralizada, oferta limitada, validação pública de transações e emissão por esforço computacional — e que o Bitcoin pode ser visto como uma combinação do Hashcash com o sistema b-money, de Wei Dai.
Limites das evidências e a resposta de Back
Há, porém, elementos que complicam a ligação direta: Back divulgou e-mails de 2008 mostrando contato entre Satoshi e ele antes da publicação do white paper, o que sugere que eram pessoas distintas, embora a reportagem admita a possibilidade especulativa de encenação.
Em entrevista à BBC, Adam Back negou ser Satoshi, chamou a investigação de “viés de confirmação” e afirmou categoricamente: “Eu não sou o Satoshi”. Em post na plataforma X, afirmou ainda que as semelhanças são fruto de coincidência e de frases comuns entre pessoas com trajetórias similares. Back também ironizou as estimativas sobre a fortuna atribuída ao criador do Bitcoin: “Me arrependo de não ter minerado com mais intensidade em 2009”.
A reportagem do NYT recorreu a análises linguísticas e cruzamentos de atividades em fóruns de criptografia; segundo a apuração, ao filtrar milhares de participantes por traços específicos, apenas o nome de Adam Back permaneceu no final do processo. Especialistas consultados pela reportagem, no entanto, ressaltam que tais métodos não são conclusivos, já que Satoshi poderia ter alterado deliberadamente seu estilo de escrita para evitar identificação.
O mistério sobre quem é Satoshi Nakamoto persiste, e a nova investigação reacendeu o debate ao reunir um conjunto de indícios que reacendem suspeitas sobre um nome já apontado em outras ocasiões, sem, contudo, produzir uma prova definitiva.
Com informações de G1




