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sexta-feira, outubro 16, 2026

Irã cobra até US$ 2 milhões por passagem segura no Estreito de Ormuz, dizem relatos

Relatos indicam cobrança de “pedágio” e aumento de prêmios de seguro após bloqueio de Ormuz

Relatos de veículos especializados em navegação afirmam que o Irã passou a cobrar até 2 milhões de dólares por embarcação que transporta petróleo e gás para garantir uma “passagem segura” pelo Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde circula cerca de um quinto do petróleo e do gás consumidos no mundo. A informação foi divulgada pelo jornal marítimo Lloyd’s List, que disse que ao menos um navio já realizou esse pagamento.

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã completa quase um mês em meio a negociações de trégua conduzidas pelos EUA. No período, surgiram denúncias de aumentos imediatos em postos de combustíveis, lucros excepcionais de grandes petrolíferas com o barril acima de US$ 100 e elevações abruptas nos prêmios de seguro de embarcações após o bloqueio do estreito por Teerã.

Autoridades iranianas negaram publicamente a cobrança, mas o parlamentar Alaeddin Boroujerdi afirmou em entrevista à TV estatal que as taxas fariam parte de um “novo regime soberano” no Estreito, justificadas para cobrir “custos de guerra”.

Especialistas consultados ressaltam que a prática violaria o direito marítimo internacional. Robert Huebert, da Universidade de Calgary, afirmou no podcast da Energi Media que “Liberdade de navegação é a base do comércio marítimo internacional, é a capacidade de transitar por essas áreas sem qualquer tipo de obstrução” e acrescentou que a cobrança enfrentaria oposição de quase todos os Estados.

Peter Sand, analista-chefe da empresa de inteligência marítima Xeneta, observou que, apesar de mais de 3,2 mil embarcações estarem retidas, a taxa em si “não é o fator essencial”. Segundo ele, o ponto crítico é que ainda não é seguro atravessar Ormuz. Sand acrescentou que “alguns [países] podem querer pagar” e que a tarifa poderia ser vista como “um último prêmio relativamente pequeno para assegurar algum nível de fornecimento energético contínuo”.

O Lloyd’s List afirmou não estar claro como os pagamentos são realizados, diante das sanções que limitam canais financeiros em dólares. A publicação aponta que Índia, Paquistão, Iraque, Malásia e China estariam negociando diretamente com autoridades iranianas para organizar passagens seguras. A Bloomberg também reportou pagamentos esporádicos a embarcações e indicou que Teerã discute a possibilidade de formalizar a taxa em um eventual acordo de paz com EUA e Israel.

Na terça-feira (24/03), o Irã informou a membros da Organização Marítima Internacional (OMI) que permitirá a travessia de “embarcações não hostis”, desde que haja coordenação prévia com Teerã. Segundo Sand, até então Teerã autorizava entre três e cinco travessias diárias.

A OMI declarou que trabalha em uma medida provisória para viabilizar a evacuação segura de navios mercantes retidos e enfatizou a necessidade de proteger a vida dos marinheiros e permitir que navios dispostos a atravessar Ormuz o façam sem risco de ataques.

Enquanto isso, a produção e as exportações de petróleo do Irã continuam, e o governo norte-americano concedeu na semana passada uma isenção de 30 dias para a compra de petróleo iraniano já armazenado em petroleiros, medida que visa aliviar a oferta energética durante as hostilidades. A alta dos preços tem permitido que Teerã obtenha receitas maiores pelas vendas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado aliados europeus da Otan para integrar uma missão multinacional de patrulha ou escolta naval no Golfo, iniciativa que enfrenta resistência por parte de países europeus, embora Alemanha, França e Itália tenham sinalizado disposição em contribuir após o fim dos combates. A OMI advertiu que escoltas navais, usadas em operações anteriores, não constituem “uma solução sustentável ou de longo prazo” e defendeu uma solução multilateral para reduzir tensões e proteger tripulações civis.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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