30.6 C
Uberlândia
quarta-feira, outubro 14, 2026

Juiz bloqueia intimações contra Jerome Powell por tentar pressionar o Fed; governo federal recorrerá

O juiz federal James Boasberg suspendeu na sexta‑feira (13) as intimações expedidas em investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, conduzida por uma procuradora indicada pelo presidente Donald Trump. Na decisão, Boasberg concluiu que as intimações tinham finalidade inadequada: pressionar o banco central a reduzir as taxas de juros.

Boasberg afirmou que o governo não apresentou provas de que Powell cometeu crime e descreveu as justificativas apresentadas pelos promotores como fracas e pretextuais. “O governo não apresentou qualquer prova de que Powell tenha cometido qualquer crime além de desagradar o presidente”, escreveu o juiz, segundo os autos.

A investigação é liderada pela procuradora federal do Distrito de Columbia Jeanine Pirro, nomeada por Trump no ano passado, que apura possíveis custos excessivos em reformas na sede do Fed. As intimações requisitavam documentos sobre obras em dois prédios históricos do complexo do banco central em Washington e incluíam o depoimento de Powell ao Comitê Bancário do Senado, previsto para julho de 2025.

O Departamento de Justiça informou que vai recorrer da decisão. Pirro, em entrevista coletiva, criticou Boasberg por, em sua avaliação, ter ultrapassado sua competência e ter protegido Powell das apurações, afirmando que as suspeitas de violação da lei são suficiente motivo para prosseguir com as diligências.

Powell tornou pública a existência da investigação em 11 de janeiro, caracterizando-a como uma ameaça à independência do Fed. A continuidade das apurações fica, por ora, mais difícil com a decisão judicial.

O episódio também traz implicações políticas. Donald Trump tem pressionado o Fed desde que reassumiu a Presidência no ano passado para que reduza os juros com maior rapidez; Powell, no entanto, adota postura mais cautelosa diante de preocupações com a inflação. Trump indicou interesse em nomear o ex‑governador do Fed Kevin Warsh para substituir Powell quando o mandato deste terminar, em meados de maio. Warsh é visto como mais favorável a cortes na taxa de juros.

Senadores republicanos do Comitê Bancário, incluindo Thom Tillis e o presidente do colegiado Tim Scott, defenderam Powell, argumentando que declarações feitas ao Congresso não configuram crime. Tillis disse que usará sua posição para bloquear novas nomeações para o Fed enquanto a investigação estiver em andamento, afirmando ainda que um eventual recurso do Departamento de Justiça apenas atrasaria a confirmação de Kevin Warsh.

Boasberg, indicado pelo ex‑presidente Barack Obama, já confrontou o governo Trump em outros casos. Na decisão desta semana, o juiz comentou que houve indícios de que as intimações buscavam forçar Powell a reduzir taxas ou renunciar, e que o governo trouxe quase nenhuma evidência que sustente as suspeitas de crime.

Nos documentos públicos, promotores afirmaram avaliar se Powell teria prestado informações falsas ao Congresso ou cometido fraude. Um porta‑voz do Fed declinou comentar.

A decisão representa mais um revés judicial para investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça durante a gestão Trump, que recentemente viu outros processos relacionados a críticos do presidente serem rejeitados por juízes.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também