Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, conquistou neste domingo (25) a Presidência da República pela quarta vez, ao vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das Eleições 2026. Lula obteve 51,79% dos votos válidos, totalizando 64.256.232 votos, contra 48,21% e 59.826.041 votos do adversário.
De origem humilde e trajetória sindical
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns (PE), Lula mudou-se com a família para São Paulo ainda criança. Trabalhou como metalúrgico e se formou profissionalmente como torneiro mecânico. Sua projeção nacional começou ao liderar o movimento sindical no ABC paulista, onde coordenou greves de metalúrgicos entre 1978 e 1980 que reivindicavam melhores salários e condições de trabalho.
Em 1980, participou da criação do Partido dos Trabalhadores (PT), formado por sindicalistas, trabalhadores rurais, intelectuais, movimentos sociais e setores da Igreja Católica. A atuação sindical abriu caminho para sua carreira política, com sucessivas candidaturas presidenciais: 1989 (perdeu para Fernando Collor), 1994 e 1998 (perdas para Fernando Henrique Cardoso).
Primeiros mandatos e políticas sociais
Lula foi eleito presidente em 2002, ao derrotar José Serra (PSDB), e tomou posse em janeiro de 2003. Seu governo ampliou programas sociais, destacou-se pela valorização do salário mínimo e pela implementação do Bolsa Família, programa que unificou benefícios e ampliou o atendimento a famílias de baixa renda. O período também foi marcado pela expansão do crédito e aumento do consumo.
Em 2006, foi reeleito ao vencer Geraldo Alckmin (PSDB). Durante o segundo mandato houve crescimento econômico e redução da pobreza, mas o governo enfrentou controvérsias, como os desdobramentos do escândalo do mensalão. Ao deixar o cargo em 2010, manteve altos índices de aprovação e apoiou a sucessora Dilma Rousseff.
Lava Jato, prisão e anulação das condenações
Após deixar a Presidência, Lula tornou-se figura central do PT, mas passou a ser alvo da Operação Lava Jato, investigação sobre irregularidades em contratos públicos. Em 2017, o então juiz Sergio Moro condenou Lula no caso do tríplex do Guarujá. A decisão foi mantida em instância posterior e Lula foi preso em abril de 2018, permanecendo cerca de 580 dias em Curitiba.
A detenção impediu sua participação nas eleições de 2018, quando o PT lançou Fernando Haddad, derrotado por Jair Bolsonaro. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações relacionadas a Lula, considerando que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para os julgamentos; a Corte também reconheceu parcialidade de Moro no processo do tríplex, restituindo os direitos políticos do ex-presidente.
Retorno em 2022 e terceiro mandato
Em 2022, Lula voltou a disputar a Presidência e derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno, com 50,90% contra 49,10% dos votos válidos, diferença de pouco mais de 2,1 milhões de votos. Tomou posse em janeiro de 2023 para o terceiro mandato, com foco na retomada de políticas sociais, no combate à fome, na reconstrução de programas públicos e na agenda ambiental. O governo enfrentou desafios fiscais, dificuldades de articulação no Congresso e oposição fortalecida.
Eleição de 2026 e a virada no segundo turno
Nas eleições de 2026 Lula voltou a enfrentar um candidato ligado ao bolsonarismo: o senador Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula ficou atrás de Flávio e precisou reverter a diferença no segundo turno. A campanha ganhou impulso com mobilizações nas ruas e ação nas redes sociais; o deputado federal André Janones (Rede-MG) teve papel na estratégia digital, incluindo a articulação de apoiadores por meio do grupo de WhatsApp chamado “Exército de Lula”.
No domingo (25), Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O resultado representou uma virada inédita desde a redemocratização: foi a primeira vez que um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno venceu no segundo turno.
Próximo mandato e cenário futuro
Lula fará 81 anos em 27 de outubro de 2026, dois dias após a vitória eleitoral, e será o presidente mais velho a iniciar um mandato no país. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027. Ao término desse mandato, em 2031, terá acumulado 16 anos à frente da Presidência, período só inferior ao de Getúlio Vargas na história republicana.
O novo governo enfrentará desafios econômicos, sociais e políticos, além da necessidade de formar apoios no Congresso Nacional para aprovar suas propostas. Pelas regras constitucionais vigentes, Lula não poderá disputar reeleição consecutiva em 2030 após exercer o mandato iniciado em 2027.
Com informações de Paranaibamais




