O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou em 17 de junho de 2026 sua décima participação em uma cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, onde teve uma série de encontros privados com outros chefes de Estado e representantes internacionais e deixou o fórum com adesão limitada a declarações do grupo.
Durante a passagem pela cidade às margens do Lago de Genebra, Lula se encontrou a portas fechadas com líderes do Japão, Egito, Ucrânia, França e da União Europeia. Também realizou conversas privadas com o presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, e com o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza. Nos corredores e nas reuniões ampliadas do evento, o presidente brasileiro cruzou com todos os participantes, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump.
Em registros do encontro, Trump se aproximou de Lula em um corredor, deu um tapinha nas costas e fez um cumprimento em inglês. Na sessão final de entrevistas separadas, contudo, ambos trocaram críticas: Trump afirmou que o Brasil se tornou “perigoso do ponto de vista político” e fez referência à condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro; Lula, por sua vez, criticou o comportamento do colega americano e afirmou que esperava respeito à soberania brasileira, ressaltando que os estrangeiros não devem interferir nas eleições do país.
O Planalto informou que segue em negociações com Washington após o anúncio americano sobre a possibilidade de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras. Lula disse que sua equipe deixou as negociações com diplomatas e técnicos em curso e que, se necessário, entrará em contato direto com Trump no futuro.
No último dia do fórum, Lula manteve encontro fechado com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Segundo o brasileiro, foi o melhor encontro que já teve com o ucraniano e, pela primeira vez, percebeu disposição de buscar uma solução para o conflito. Lula afirmou que ajudará no que puder e que se comprometeu a ligar para os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Rússia, EUA, França e Reino Unido) para cobrar ação. Zelensky descreveu o encontro como “boa reunião” e disse que concordaram em manter novos contatos.
Também houve reunião bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, sobre a proibição anunciada pela UE a partir de 3 de setembro das importações de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil, alegando falhas em comprovação de requisitos sanitários. O veto não foi suspenso, mas foi acordado acompanhamento político mais próximo das negociações fitossanitárias e das tratativas sobre exportação de produtos siderúrgicos.
À margem da cúpula, Lula se reuniu com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi; Mercosul e Tóquio lançaram formalmente as negociações para um acordo de parceria econômica, com inauguração prevista para a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no fim de junho em Assunção.
Ao todo, os líderes do G7 adotaram nove declarações durante o encontro, das quais oito poderiam ser endossadas por países convidados. O Brasil assinou apenas três textos: combate ao câncer, proteção digital de crianças e adolescentes, e combate ao tráfico de drogas. Outras declarações — sobre desequilíbrios macroeconômicos, ebola, minerais críticos, parcerias para desenvolvimento, contrabando de migrantes e mineração — não receberam o aval do governo brasileiro.
O país apontou divergências entre sua posição e a das principais economias do G7 em vários temas, e ressaltou que parte dos documentos do fórum foi adaptada para acomodar a presença dos Estados Unidos.
Com informações de G1




