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sexta-feira, outubro 23, 2026

Modelo econômico de Javier Milei vira peça central da eleição brasileira entre defesa e críticas ao custo social

Quem e o que: A gestão do presidente argentino Javier Milei, iniciada em 2023 com o chamado “Plano Motosserra”, passou a ser assunto recorrente na eleição presidencial brasileira. O pacote de ajuste do governo argentino incluiu cortes profundos de gastos, fim de subsídios, desvalorização do peso e desregulamentação, e tornou-se referência na polarização entre apoiadores e críticos no Brasil.

Quando e onde: As medidas de Milei e seus efeitos foram discutidos ao longo da campanha brasileira em 2026, após quase três anos de governo na Argentina, e ganharam destaque em eventos como a vinda de Milei ao Brasil para o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro em 25 de julho.

Como e por quê: Pelos números oficiais e análises econômicas citadas, o ajuste sob Milei ajudou a reduzir a inflação de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, fez as exportações crescerem e conduziu a um superávit comercial e a melhora das contas públicas. Em 2024, o S&P Merval subiu quase 115% em dólares e 174% em pesos; em 2025 o PIB avançou 4,4%.

No entanto, os efeitos sociais e do mercado de trabalho passaram a preocupar. Desde o início da gestão, mais de 32 mil empresas fecharam ou deixaram de ter funcionários registrados, segundo dados citados, e o desemprego alcançou 7,9%, o maior patamar desde 2021. A pobreza, que havia recuado no segundo ano de governo, voltou a subir e atingiu cerca de um terço da população. Relatos apontam aumento da informalidade, crescimento de cozinhas comunitárias, retorno de práticas de escambo e maior dependência de empréstimos de curto prazo por famílias em dificuldades.

Protestos por mais recursos a universidades públicas e confrontos com a polícia em Buenos Aires fizeram parte das manifestações recentes contra o governo. A popularidade de Milei caiu em 2026: pesquisa da AtlasIntel de setembro mostrou desaprovação de quase 70% entre entrevistados de menor renda (até cerca de US$ 650 por mês) e aprovação abaixo de 30%; no total da população, a desaprovação atingiu 58% e a aprovação 38,1%.

Uso político no Brasil: No Brasil, Flávio Bolsonaro tem defendido o modelo argentino como exemplo, e a equipe econômica de sua campanha, coordenada por Daniella Marques, elogiou Milei por ganhos em investimento e redução de burocracia. O plano de governo de Flávio inclui um “tesouraço” para enxugar a máquina e reduzir impostos, sem detalhar o alcance dos cortes. Já a campanha do presidente Lula tem explorado os custos sociais observados na Argentina, citando a volta da pobreza e mudanças na legislação trabalhista aprovadas em fevereiro, que ampliaram jornadas e modificaram regras de indenização.

O tema também emergiu em debates: Lula perguntou a Flávio se ele pretendia copiar o modelo argentino; Flávio não respondeu diretamente e afirmou que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contrapôs críticas afirmando que a economia brasileira está em condição melhor que a argentina, com risco-país, dívida e inflação mais baixos na Argentina.

Limites da comparação e cenário brasileiro: Economistas consultados ressaltam diferenças entre Brasil e Argentina. Apesar de economistas terem indicado o equilíbrio das contas públicas como desafio central para o próximo governo no Brasil, muitos defendem um ajuste gradual e previsível, evitando choques bruscos. Em agosto deste ano, o endividamento do setor público brasileiro alcançou R$ 11,05 trilhões, cerca de 82,9% do PIB, o maior patamar desde abril de 2021.

Especialistas como Federico Servideo e Tito Nolazco destacam características institucionais, diferenciais de reservas, dolarização e profundidade do mercado financeiro que distinguem os dois países e limitam a aplicabilidade direta de um “tesouraço” no Brasil. Jimena Zuniga, da Bloomberg Economics, observa que, na Argentina, a estabilização macroeconômica não se traduziu plenamente em recuperação do poder de compra, porque o crescimento foi concentrado em setores com menor geração de empregos.

O debate na eleição brasileira concentra-se, portanto, entre quem prioriza ajuste fiscal rápido e quem alerta para os efeitos imediatos sobre emprego e renda, com o caso argentino servindo como referência e advertência para eleitores e formuladores de políticas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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