Giulia Maria Zanfelice, 22 anos, moradora de Rio Claro (SP), volta a disputar uma vaga no curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP) na primeira fase da Fuvest, marcada para 1º de novembro de 2026. Será a sexta participação dela no vestibular após cinco anos consecutivos de cursinho.
A jovem mantém a meta de estudar no campus Pinheiros, em São Paulo, e afirma que referências familiares e o desejo de trabalhar na medicina motivam sua persistência. Criada por três mulheres, Giulia diz que aprendeu valores coletivos, coragem e resiliência, e ressalta a expectativa de ser a primeira pessoa da família a obter um diploma universitário. Ela também manifesta o objetivo de atuar no Sistema Único de Saúde (SUS) como forma de retribuir pelas políticas públicas utilizadas por sua família.
O relato de Giulia ilustra a rotina de candidatos que conciliam anos de preparação com o cuidado da saúde mental. A estudante reconhece o cansaço e a frustração pelas tentativas anteriores, mas valoriza o aprendizado acumulado e a evolução pessoal e acadêmica obtidos ao longo do percurso. Segundo ela, mesmo revisitando conteúdos repetidas vezes, há sempre algo novo a assimilar.
Persistência e rotina de estudo
Outro exemplo citado é o de Murillo Moura, de 21 anos, aluno do cursinho Oficina do Estudante, que busca vaga em medicina há quatro anos. Para Murillo, a maior dificuldade é cultivar a paciência diante do processo, mas a motivação de cuidar da saúde das pessoas mantém sua determinação. Ele incentiva colegas em situação semelhante a persistirem, destacando a necessidade de resiliência.
A psicóloga e orientadora educacional do Colégio Oficina do Estudante, Mariana Viviani, avalia que o tempo dedicado aos cursinhos não é perdido: forma disciplina, responsabilidade e resiliência, qualidades essenciais para enfrentar uma graduação exigente como Medicina. Mariana observa ainda que o vestibular costuma gerar uma sensação de “tudo ou nada”, aumentando a ansiedade, e que é importante relativizar essa impressão para que a aprovação represente o resultado de um processo contínuo de esforço.
Calendário e mudanças na Fuvest
O calendário divulgado pela Fuvest prevê as seguintes datas: 21 de outubro de 2026 — divulgação dos locais de prova da primeira fase; 1º de novembro de 2026 — realização da primeira fase; 23 de novembro de 2026 — divulgação dos convocados para a segunda fase e dos locais de prova; 6 e 7 de dezembro de 2026 — realização da segunda fase; 8 a 11 de dezembro de 2026 — provas de competências específicas para Música, Artes Cênicas e Artes Visuais; 26 de janeiro de 2027 — divulgação da primeira chamada.
Uma das novidades anunciadas para este ano é a redução do número de questões da primeira fase, que passou de 90 para 80 itens, mantendo a mesma duração da prova. A organização informou que a alteração visa ampliar o tempo de reflexão e análise diante de um exame cada vez mais interdisciplinar. A lista de leituras obrigatórias também teve mudanças em relação ao vestibular de 2026, mantendo-se, contudo, composta apenas por autoras mulheres. Os títulos selecionados são:
- Opúsculo Humanitário (1853) – Nísia Floresta
- Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
- Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
- Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
- A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
- Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
- Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
- Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
- A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida
Esta reportagem integra o projeto Vestibulou, iniciativa do g1 São Carlos e Araraquara voltada à divulgação de informações sobre os principais vestibulares e à preparação dos candidatos.
Com informações de G1




