Movimentos atípicos em diversos mercados ocorreram pouco antes de anúncios do presidente dos EUA
Investidores fizeram operações de grande volume em diferentes segmentos financeiros minutos antes de anúncios oficiais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerando suspeitas de uso de informação privilegiada e pressão por investigações. Entre os episódios mais recentes está a negociação de contratos de petróleo imediatamente antes de postagens do mandatário que levaram a forte queda nos preços.
O caso mais destacado ocorreu entre 6:49 e 6:51 da manhã do dia 23/03, quando, segundo apuração, foram negociados mais de 760 milhões de dólares (R$ 4 bilhões) em contratos futuros de petróleo, incluindo Brent e West Texas Intermediate. Às 7h04 (Brasília UTC-3) daquele dia, Trump publicou mensagens dizendo que suspendia ataques à infraestrutura energética do Irã após “conversas produtivas”, e os preços do Brent caíram de 114 para 97 dólares por barril nas horas seguintes.
Além do petróleo, houve movimentações atípicas no índice S&P 500, mercados de previsão (como a Polymarket), operações cambiais e no mercado de criptomoedas. A empresa de análise Bubblemaps informou que seis contas lucraram cerca de 1,2 milhão de dólares (R$ 6 milhões) com apostas corretas sobre ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, registradas horas antes dos ataques de 28 de fevereiro.
Em outro episódio, um único apostador também acertou datas de operações em outubro de 2024 envolvendo ataques israelenses contra o Irã, com apostas realizadas poucas horas antes dos eventos. A Reuters identificou que, ao todo, 529 milhões de dólares foram apostados em contratos ligados ao timing de ataques e 150 milhões de dólares em contratos sobre a possível remoção do ex-líder supremo Ali Khamenei.
Casos envolvendo outros países também chamaram atenção. Em 2 de janeiro, após autorização de Trump para ação que resultou na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, uma série de apostas na Polymarket sobre a queda de Maduro havia sido registrada entre dezembro e janeiro; um trader teria obtido cerca de 410 mil dólares (R$ 2,1 milhões).
No âmbito comercial, recuos em tarifas anunciados entre 9 e 14 de abril de 2025 provocaram movimentos incomuns em opções de compra ligadas ao S&P 500 e ao Nasdaq, enquanto, em 10 de outubro de 2025, duas contas lucraram cerca de 160 milhões de dólares (R$ 842 milhões) com posições alavancadas contra criptomoedas minutos antes de anúncio de tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses.
No Brasil, a Advocacia‑Geral da União apontou operações cambiais atípicas em 9 de julho de 2025: entre três e quatro bilhões de dólares (R$ 15 a R$ 21 bilhões) foram comprados por cerca de R$ 5,46 o dólar menos de três horas antes de Trump divulgar carta em apoio ao ex‑presidente Jair Bolsonaro e anunciar sobretaxa sobre produtos brasileiros; após a publicação, o câmbio subiu para R$ 5,60. O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou investigação sobre o episódio.
Autoridades e especialistas destacam que não há evidência pública de que a Casa Branca tenha sistematicamente repassado informações confidenciais a investidores. Analistas, entretanto, ressaltam que postagens e mudanças de política de Trump, muitas vezes divulgadas sem aviso prévio nas redes sociais e associadas ao chamado “Volfefe Index”, têm potencial para mover mercados e estimular operações que pareçam ter timing perfeito. Observadores no Congresso americano, em especial democratas, pediram investigações sobre possível manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.
Stephen Innes, analista da SPI Asset Management, afirmou à AFP que o tamanho das operações e o timing levantam suspeitas: quando posições mudam minutos antes de anúncios com potencial de afetar o mercado, normalmente indica que alguém agiu com informações antes da divulgação pública.
As ocorrências descritas incluem negociações em petróleo, índices de ações, mercados de previsão, câmbio e criptomoedas que, em conjunto, reacenderam o escrutínio sobre a possível existência de vazamentos ou comportamentos que privilegiem certos investidores.
Com informações de G1




