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terça-feira, outubro 13, 2026

Mudança de Jacinda Ardern para a Austrália coloca em foco êxodo de cérebros na Nova Zelândia

TRANSMISSÃO: Record | Band

Ex-primeira-ministra escolhe Sydney e reacende debate sobre saída de talentos

A mudança da ex-primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern para Sydney reacendeu o debate sobre o chamado “êxodo de cérebros” da Nova Zelândia. O escritório de Ardern confirmou que ela e a família se estabeleceram na cidade australiana, onde foram vistos procurando residência nas praias do norte.

Ardern, que chefiou o governo entre 2017 e 2023, deixou a política em janeiro de 2023, obteve depois uma bolsa na Universidade Harvard e, segundo seu gabinete, viajou com a família antes de decidir fixar-se temporariamente na Austrália.

Especialistas e políticos interpretam a mudança como um reflexo de problemas estruturais no país. Alan Gamlen, diretor do centro de migração da Universidade Nacional Australiana, afirmou à BBC que a saída de Ardern “provavelmente será considerada um símbolo deste padrão maior” e que, para alguns, pode parecer “uma deserção”.

No ano passado, mais de 66 mil neozelandeses emigraram, número equivalente a cerca de 180 pessoas por dia. Para uma nação de 5,3 milhões de habitantes, esse fluxo é significativo, ainda que parcialmente compensado por retornos de cidadãos. Grande parte dos que saem cruza o estreito de aproximadamente 1.500 km com destino à Austrália, país que há décadas garante direitos de trabalho semelhantes aos dos neozelandeses.

A saída é mais pronunciada entre jovens, muitos dos quais inicialmente buscam experiência no exterior e, em alguns casos, não vislumbram retorno permanente. Desde os anos 1970 há surtos de emigração ligados a mudanças de acordos com outros países, mas, segundo Gamlen, a tendência aumentou consideravelmente nos últimos cinco anos.

O movimento tem relação com dificuldades econômicas internas: economia estagnada, alta do custo de vida, desemprego em patamares que não se via há uma década (exceto durante a pandemia), e aumentos salariais que ficaram atrás da inflação. Preços de produtos básicos figuram entre os mais altos do mundo desenvolvido e a crise de moradia elevou os custos de aluguel e compra, agravando desigualdades em saúde e educação.

Relatos pessoais ilustram a tendência. Nicole Ballantyne, hoje com 27 anos, deixou os subúrbios de Auckland há dez anos e se estabeleceu em Sydney em busca de melhores oportunidades de estudo e carreira; seu irmão também se mudou e seu grupo de amigos do ensino médio não permanece na Nova Zelândia. Ballantyne disse à BBC que, embora mantenha orgulho de ser kiwi, conseguiu na Austrália uma vida que não teria em Auckland.

No debate público, legisladores e autoridades divergem sobre as soluções, propondo desde redução da imigração até incentivos a investimentos e habitação. Parlamentares da coalizão governista afirmam que a recente fase de saída é parcialmente efeito residual da pandemia de covid-19, enquanto o ministro da Habitação, Chris Bishop, declarou que o governo vem fazendo “bons progressos” para reverter a situação, ao mesmo tempo em que reconhece um “profundo mal-estar” entre muitos neozelandeses.

Para alguns especialistas, a emigração também pode trazer benefícios: cidadãos que retornam trazem experiência e redes internacionais que podem favorecer inovações. Ainda assim, a decisão de figuras públicas como Ardern catapulta o tema para o centro das discussões nacionais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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