A OpenAI pediu nesta segunda-feira (21 de setembro de 2026) que os Estados Unidos conduzam um esforço internacional para definir padrões técnicos globais para sistemas de inteligência artificial de alta capacidade, citando entre as preocupações o fenômeno conhecido como aprimoramento recursivo — quando um sistema aprimora autonomamente suas próprias habilidades.
A solicitação foi divulgada em uma postagem de blog enquanto líderes mundiais se reuniam na Assembleia Geral das Nações Unidas, evento em que a inteligência artificial figura como um dos tópicos centrais desta semana. A empresa sustentou que é essencial criar um mecanismo que facilite a elaboração de normas nacionais e internacionais complementares para esses sistemas.
No texto, a OpenAI defende também a adoção de métricas comuns para avaliar o desempenho e os riscos das plataformas avançadas, além de protocolos padronizados para notificação de incidentes, com o objetivo de aperfeiçoar a resposta coordenada entre países frente a problemas emergentes.
A companhia argumentou que a forma como a liderança global se posicionar agora vai influenciar se os EUA moldarão as regras globais para a tecnologia ou se acompanharão um cenário fragmentado e conflituoso, o que poderia enfraquecer as redes já estabelecidas entre os Estados Unidos e seus aliados.
O setor tem debatido a possibilidade de reduzir temporariamente o ritmo do desenvolvimento da IA como forma de mitigar riscos. A OpenAI esclareceu que “ajustar o ritmo” não significa manter uma velocidade fixa, mas sim garantir que pesquisas voltadas ao alinhamento e a implementação dessas pesquisas fiquem permanentemente à frente das capacidades tecnológicas. O conceito de alinhamento refere-se a fazer com que sistemas de IA atuem conforme valores humanos.
Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, apresentará um relatório sobre inteligência artificial e segurança internacional aos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira. A reunião foi convocada pela França, que preside o conselho em setembro, e será presidida pelo ministro francês para a Europa e Assuntos Exteriores, Jean-Noël Barrot.
O Conselho de Segurança realizou sua primeira sessão dedicada aos riscos da IA em 2023. Na ocasião, a China alertou para o risco de a tecnologia se tornar incontrolável, enquanto os Estados Unidos manifestaram preocupação quanto ao uso da IA para censura ou repressão.
O governo do presidente Donald Trump rejeitou os apelos por uma desaceleração coordenada no desenvolvimento da tecnologia, justificando que uma pausa poderia abrir espaço para que a China reduzisse a distância em relação aos EUA em uma área vista como crucial para segurança nacional e economia. Trump afirmou no início de setembro que os Estados Unidos já dispõem de mecanismos de salvaguarda para regulamentar a IA e declarou que a China se beneficiaria das incertezas sobre o ritmo de desenvolvimento. O presidente dos EUA tem encontro marcado com o presidente chinês Xi Jinping nesta semana, em Washington.
As discussões na ONU e as iniciativas de empresas do setor devem continuar moldando o debate sobre como combinar inovação com medidas de segurança e cooperação internacional.
Com informações de G1




