Peter Thiel, bilionário do setor de tecnologia, iniciou no domingo (15) uma série de palestras em Roma que causaram mal-estar na Igreja Católica. Os encontros, realizados até quarta-feira (18), abordaram o tema do anticristo e tiveram caráter fechado, com presença apenas de convidados.
Segundo reportagem do jornal The New York Times, os identificadores de acesso exibiam na segunda-feira (16) o nome da conferência como “O Anticristo Bíblico”. O periódico informou ainda que pelo menos um padre participou das atividades.
A proximidade do evento com o Vaticano motivou manifestações de integrantes do clero e de assessores do papa. Na véspera da chegada de Thiel a Roma, o padre Paolo Benanti — que atua como conselheiro do papa para temas relacionados à inteligência artificial — publicou um ensaio intitulado: “Heresia americana: Peter Thiel deveria ser queimado na fogueira?”. No texto, Benanti descreve Thiel como um “teólogo político” do Vale do Silício e afirma: “Toda a ação de Thiel pode ser vista como um ato prolongado de heresia contra o consenso liberal: um desafio aos próprios fundamentos da convivência civil, que ele agora considera ultrapassados”.
Também um jornal ligado à Conferência Episcopal Italiana publicou críticas ao empresário. Em trecho, o veículo advertia que líderes de tecnologia não devem estabelecer sozinhos seus limites éticos e defendia que governos assegurem supervisão democrática das plataformas digitais, além de medidas para enfrentar a propagação de desinformação.
Empreendedor conhecido por fundar a PayPal e a Palantir Technologies, Thiel tem ampliado o interesse por temas religiosos e filosóficos e já organizou encontros semelhantes em São Francisco e Paris. Nas palestras em Roma, ele tratou de cenários em que uma figura com traços do anticristo poderia emergir — segundo os organizadores, Thiel se baseia em profecias bíblicas para alertar que alguém poderia tentar instaurar um governo único global com promessas de evitar catástrofes como guerras nucleares, avanços descontrolados da inteligência artificial e mudanças climáticas.
Os encontros desta semana foram fechados ao público e à imprensa. O endereço não foi divulgado; os organizadores informaram que a lista de participantes incluiu representantes das áreas acadêmica, tecnológica e religiosa.
Com informações de G1




